Receber um diagnóstico de cancro infantil é algo que nenhum pai quer. Mas, infelizmente, esta é uma realidade que afeta milhares de famílias todos os anos.
“Perdi o meu filho Zach, de 9 anos, para a leucemia mieloide aguda, após 4 anos de quimioterapia, radioterapia e transplantes. Tratamentos brutais e agressivos…”, conta Julie Guillot, embaixadora da Leukemia & Lymphoma Society, uma organização norte-americana sem fins lucrativos.
“O Zach morreu porque o seu pequeno corpo não aguentou mais tantos tratamentos e tanta toxicidade”.
Infelizmente, a história de Julie e de Zach é mais comum do que se possa pensar.
40% dos cancros pediátricos diagnosticados são cancros do sangue, que atacam as defesas naturais do corpo.
Tal como esta mãe explicou, estas crianças “são sujeitas a várias rondas de tratamentos muito tóxicos, que destroem por completo o seu sistema imunitário.”.
De acordo com um relatório de 2021 da Leukemia & Lymphoma Society, 60% dos sobreviventes de cancro infantil desenvolvem condições crónicas de saúde, como resultado do tratamento.
Apesar disso, pesquisas específicas para pediatria e melhorias nos tratamentos de cancro para crianças têm sido mais lentas do que os desenvolvimentos de pesquisas e testes para adultos.
“Apesar do grande progresso, crianças como o Zach esperam cerca de 6,5 anos a mais do que os adultos para ter acesso a novos medicamentos. Isso é inaceitável”.
No entanto, os motivos para se ter esperança são cada vez maiores: o Projeto Dare to Dream, desenvolvido pela Leukemia & Lymphoma Society Children’s Initiative, é uma iniciativa sem fins lucrativos que promove a investigação científica, ajudando a explorar opções de tratamento mais seguras – atualmente, está já em marcha o PedAL, o primeiro ensaio clínico global com foco na leucemia aguda pediátrica que testará várias terapias simultaneamente em vários locais do mundo.
“O nosso objetivo é nada menos que uma mudança total no padrão de atendimento para pacientes pediátricos. Queremos pensar para além das quimioterapias tóxicas que deixam os sobreviventes reféns de desafios de saúde ao longo da vida. Queremos dar a estas crianças tratamentos eficazes e seguros que não causem tantos danos ao seu corpo”, explicou Gwen Nichols, uma das responsáveis do PedAL.
O Projeto Dare to Dream reconhece que as crianças não são apenas “pequenos adultos”, ou seja, o seu tratamento contra o cancro não deve “ser apenas uma versão reduzida do que está disponível para pacientes adultos”.
Ao explorar os avanços médicos e a promessa de um tratamento mais personalizado, o PedAL está a tentar criar opções de tratamento mais eficazes e seguras, com menos efeitos secundários a longo prazo.
O PedAL funciona identificando a biologia tumoral única de cada criança e combinando-as com um tratamento específico para o seu tipo específico de cancro. Com ensaios disponíveis em todo o mundo, as famílias podem inscrever crianças elegíveis nos ensaios terapêuticos que melhor atendem às suas necessidades – o que ajuda os participantes individuais, bem como inúmeros outros, contribuindo para pesquisas que ajudam os cientistas a encontrar padrões.
Para pais como Julie, esta iniciativa é um novo motivo de otimismo.
“Espero que o PedAL permita que todas as crianças – independentemente da sua situação ou da sua localização – tenham acesso a terapias de ponta mais rapidamente”, disse Julie.
“Estas crianças querem viver e merecem opções menos tóxicas e mais curativas.”
Fonte: Mother