Uma colaboração internacional entre centros de investigação da Europa e dos Estados Unidos está a ajudar a tornar os transplantes de medula óssea mais personalizados para crianças. O trabalho, desenvolvido por Alexandre Troullioud Lucas durante o doutoramento na Utrecht University (Países Baixos), pretende identificar quais as abordagens mais adequadas para cada criança.
Todos os anos, cerca de 40 a 50 crianças realizam um transplante de medula óssea nos Países Baixos para tratar doenças como o cancro pediátrico, doenças do sangue ou doenças metabólicas. O sucesso deste tratamento depende de vários fatores, incluindo o tipo de transplante, os medicamentos administrados e a forma como o sistema imunitário recupera.
Dados de 500 crianças ajudam a compreender os fatores de sucesso
Para responder a estas questões, o Prinses Máxima Centrum (Países Baixos) integra o consórcio internacional IMPACT, que reúne centros especializados da Europa e dos Estados Unidos.
Durante o doutoramento, Alexandre Troullioud Lucas ajudou a reforçar esta colaboração, permitindo uma melhor partilha de dados entre os diferentes centros.
A investigação reuniu informação clínica de 500 crianças submetidas a transplante de medula óssea ao longo de 10anos, proveniente do Prinses Máxima Centrum, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (EUA) e do St. Jude Children’s Research Hospital (EUA).
Os investigadores analisaram fatores clínicos associados ao aparecimento de complicações após o transplante e relacionaram-nos com a velocidade de recuperação do sistema imunitário. Estes dados poderão, no futuro, ajudar a escolher a estratégia de transplante mais adequada para cada criança.
Base para tratamentos mais personalizados
O objetivo do consórcio é identificar um conjunto de indicadores clínicos que, juntamente com marcadores biológicos da recuperação imunitária, permitam personalizar o tratamento.
O texto recorda ainda que investigadores do grupo de Stefan Nierkens identificaram anteriormente um marcador biológico – a contagem de células CD4+ T nos primeiros três meses após o transplante – capaz de prever o risco de complicações como doença do enxerto contra o hospedeiro ou infeções virais graves. Este marcador já foi reconhecido pela Food and Drug Administration (EUA) como parâmetro para estudos clínicos.
Segundo os investigadores, a partilha de dados entre centros internacionais permite estudar um maior número de crianças, comparar diferentes abordagens terapêuticas e acelerar a aplicação dos resultados na prática clínica, contribuindo para melhorar o sucesso dos transplantes de medula óssea em crianças que necessitam deste tratamento.
Fonte: Princess Máxima Center