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Estudo encontra associação entre contexto socioeconómico e incidência de cancro pediátrico

Um estudo realizado no Canadá encontrou uma associação entre o contexto socioeconómico das famílias e a incidência de cancro pediátrico. Os resultados indicam que o número de novos casos foi até 15% superior entre crianças que viviam nas zonas consideradas menos desfavorecidas, em comparação com as áreas com maior nível de marginalização.

A investigação analisou cerca de 2,3 milhões de crianças entre os zero e os 14 anos, incluindo 9 063 casos de cancro pediátrico diagnosticados no Ontário entre 1999 e 2023. Os resultados foram particularmente influenciados pelos casos de cancros hematológicos, como leucemias e linfomas, e por outros tumores sólidos.

A investigação utilizou dados do ⁠Pediatric Oncology Group of Ontario (POGO) (Canadá) e cruzou-os com informação do Statistics Canada e do Ontario Marginalization Index, um índice que avalia diferentes dimensões de vulnerabilidade social.

Diferentes fatores socioeconómicos analisados

Ao contrário de trabalhos anteriores centrados apenas em indicadores como o rendimento ou a escolaridade, os investigadores analisaram quatro dimensões: recursos materiais, características dos agregados familiares e das habitações, idade e participação no mercado de trabalho e presença de populações racializadas e recém-chegadas ao país.

Entre os casos de cancro pediátrico identificados, as maiores proporções surgiram entre crianças residentes nas áreas menos desfavorecidas em três destas dimensões.

Maria Chiu, investigadora do ⁠POGO (Canadá) e professora associada da ⁠Universidade de Toronto (Canadá), considera que os resultados contrariam a ideia de que uma maior vulnerabilidade económica estaria necessariamente associada a uma maior incidência de cancro pediátrico.

Estudo não permite estabelecer causas

Os investigadores sublinham, no entanto, um ponto essencial: o estudo identificou uma associação, mas não demonstrou que o estatuto socioeconómico seja responsável pelo desenvolvimento de cancro pediátrico.

Uma das hipóteses que deverá ser estudada prende-se com a forma como o sistema imunitário se desenvolve nos primeiros anos de vida. Fatores associados a diferentes contextos socioeconómicos – como a idade dos pais, características da gravidez e do nascimento ou diferentes padrões de exposição precoce a infeções – poderão ter influência.

Os autores referem, por exemplo, que crianças de famílias com rendimentos mais baixos apresentavam maior probabilidade de frequentar creches com grupos numerosos e, consequentemente, de contactar mais cedo com infeções comuns da infância. Esta exposição precoce poderá contribuir para o desenvolvimento do sistema imunitário, mas trata-se ainda de uma hipótese que necessita de investigação adicional.

Os resultados reforçam, assim, a necessidade de continuar a estudar os fatores ambientais, sociais e imunológicos que poderão estar associados ao desenvolvimento de diferentes tipos de cancro pediátrico, sem retirar deste estudo conclusões sobre prevenção ou sobre comportamentos que possam reduzir o risco da doença.

Fonte: Medscape

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