Uma equipa da Icahn School of Medicine at Mount Sinai (EUA) concluiu que crianças com a mesma mutação associada à leucemia podem ter evoluções muito diferentes — e que uma das razões pode estar no momento em que a mutação aparece durante o desenvolvimento.
O estudo, publicado na Cancer Discovery, sugere que, quando a leucemia começa antes do nascimento, tende a ser mais agressiva, a crescer mais depressa e a ser mais difícil de tratar, mesmo com alterações genéticas semelhantes.
O que os investigadores fizeram
A equipa liderada por Elvin Wagenblast usou técnicas avançadas de edição genética CRISPR/Cas9 para recriar, em laboratório, diferentes “momentos” de início da leucemia mieloide aguda — um dos tipos mais agressivos de cancro pediátrico do sangue.
Os investigadores introduziram a fusão NUP98::NSD1 (uma alteração em que dois genes se juntam de forma anormal) em células estaminais do sangue de várias fases: pré-natal, pós-natal, adolescência e idade adulta. Assim, conseguiram observar como a mesma mutação se comporta de forma diferente conforme surge mais cedo ou mais tarde.
Principais resultados
- Células pré-natais transformaram-se mais facilmente em leucemia, originando uma doença mais agressiva e com características mais “primitivas”.
- Células pós-natais foram-se tornando mais resistentes a essa transformação e, muitas vezes, precisaram de mutações adicionais para se tornarem cancerosas.
- As células de leucemia com origem pré-natal mostraram-se mais dormentes (menos ativas), o que pode torná-las mais difíceis de eliminar com tratamentos standard.
- Ao analisarem dados célula a célula, os investigadores identificaram uma assinatura genética pré-natal que pode ajudar a prever se a leucemia terá começado antes do nascimento. Nos doentes, essa assinatura esteve associada a piores resultados clínicos.
O que isto pode mudar no tratamento
A equipa testou terapias contra as células mais agressivas e observou que estas eram especialmente vulneráveis ao venetoclax, um medicamento já aprovado e usado na prática clínica. Em modelos experimentais, combinações com venetoclax (incluindo com quimioterapia standard) reduziram a agressividade da doença.
A ideia é que perceber quando a leucemia começa pode ajudar a:
- identificar mais cedo os casos de maior risco;
- escolher tratamentos mais eficazes logo no início;
- reduzir tentativas sucessivas de terapias e diminuir risco de resistência e recidiva.
Próximos passos
Os investigadores pretendem agora desenvolver estratégias que ataquem de forma mais direta o metabolismo específico destas leucemias com origem pré-natal, com o objetivo de eliminar as células leucémicas preservando as células estaminais saudáveis.
Fonte: Medical Xpress