Investigadores da University of Alabama at Birmingham O’Neal Cancer Center (EUA) identificaram mecanismos que podem ajudar a explicar por que razão o neuroblastoma de alto risco se consegue disseminar pelo organismo e encontraram dois potenciais alvos para futuros tratamentos.
O estudo, publicado na revista Science Advances, comparou o neuroblastoma de alto risco com formas de baixo risco da doença e concluiu que as células dos tumores mais agressivos apresentam características biológicas diferentes, que lhes permitem adaptar-se melhor e escapar às defesas do sistema imunitário.
Gânglios linfáticos podem proteger as células tumorais
Os investigadores observaram que as células do neuroblastoma podem encontrar nos gânglios linfáticos um ambiente que as protege da resposta imunitária.
Este microambiente enfraquece e reduz a capacidade das células T, importantes para a resposta do sistema imunitário, reconhecerem e atacarem as células tumorais. Desta forma, o neuroblastoma consegue sobreviver e continuar a disseminar-se pelo organismo.
A equipa pretende agora estudar formas de modificar este ambiente nos gânglios linfáticos e utilizar a imunoterapia para bloquear os sinais que limitam a resposta imunitária.
Dois mecanismos podem ser novos alvos terapêuticos
O estudo identificou ainda outra possível vulnerabilidade. Os tumores metastáticos apresentavam uma maior produção de proteínas e uma forte dependência de duas vias biológicas envolvidas na produção e no transporte dessas proteínas dentro das células.
Quando os investigadores utilizaram medicamentos para bloquear simultaneamente estas duas vias, o crescimento tumoral diminuiu de forma significativa e a sobrevivência melhorou nos modelos pré-clínicos.
Segundo Richard Lu, responsável pela investigação, interferir ao mesmo tempo na produção e no transporte das proteínas poderá não só dificultar o crescimento das células tumorais, como também torná-las mais vulneráveis à quimioterapia ou à imunoterapia.
Os resultados são ainda pré-clínicos e não demonstram que esta estratégia seja eficaz em crianças. Os investigadores pretendem agora estudar se a combinação destas abordagens com terapias dirigidas e imunoterapia poderá contribuir para desenvolver novos tratamentos para o neuroblastoma de alto risco.
Fonte: UAB