Investigadores do St. Jude Children’s Research Hospital (EUA) identificaram um grupo específico de neurónios que parece desempenhar um papel importante no desenvolvimento de estados prolongados de medo e ansiedade. A descoberta poderá contribuir, no futuro, para o desenvolvimento de tratamentos mais direcionados para as perturbações de ansiedade.
O estudo, publicado na revista Neuron, identificou os chamados neurónios C1, responsáveis pela produção de adrenalina. Em modelos laboratoriais, os investigadores observaram que estes neurónios aumentam temporariamente a sua atividade em situações de stress. No entanto, quando permanecem ativos durante mais tempo do que o habitual, podem desencadear comportamentos associados à ansiedade que persistem durante vários dias.
A equipa verificou ainda que a inibição destes neurónios reduziu os comportamentos relacionados com a ansiedade, sobretudo após situações de elevado stress, sugerindo que poderão representar um novo alvo terapêutico.
Segundo Lindsay Schwarz, investigadora do St. Jude Children’s Research Hospital (EUA), os neurónios C1 parecem promover a ansiedade sem afetar diretamente funções essenciais do organismo, como a respiração ou o funcionamento cardíaco. Esta característica poderá permitir o desenvolvimento de tratamentos mais específicos e com menos efeitos indesejáveis.
Os investigadores explicam que os neurónios C1 comunicam com uma região do cérebro envolvida na resposta ao stress. Normalmente, esta ligação é desativada quando a situação stressante termina. No entanto, uma ativação intensa poderá manter esse circuito ativo durante demasiado tempo, prolongando a resposta de ansiedade.
Embora os resultados sejam promissores, os autores sublinham que esta investigação foi realizada em modelos animais e que serão necessários mais estudos para perceber se esta abordagem poderá vir a ser aplicada no tratamento de pessoas com perturbações de ansiedade.
Fonte: St. Jude