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Plataforma global de medicamentos está a reforçar cuidados de cancro pediátrico – e a mudar sistemas de saúde

A Global Platform for Access to Childhood Cancer Medicines está a fazer mais do que melhorar o acesso a medicamentos para cancro pediátrico: está a criar impulso para reforçar a organização dos cuidados, sobretudo através de melhores sistemas de dados e planeamento nacional. A iniciativa é uma parceria entre países participantes, o St. Jude Children’s Research Hospital (EUA) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) (Suíça).

O Nepal (Ásia do Sul) e o Gana (África Ocidental) são dois exemplos: o Nepal entrou na primeira vaga de países participantes e o Gana na segunda.

Antes de receber medicamentos, foi preciso criar bases

Para aderirem ao programa, ambos os países tiveram de melhorar infraestrutura e processos, incluindo:

  • registo e gestão de dados clínicos;
  • armazenamento e distribuição de medicamentos;
  • sistemas de análise para prever necessidades.

Como resultado, tanto o Nepal como o Gana criaram registos nacionais de cancro, que já estão a trazer benefícios para além da distribuição de medicamentos: ajudam a compreender melhor o peso da doença, a planear estratégias nacionais e a identificar barreiras no acesso aos cuidados.

No Nepal, Krishna Sharma, do B P Koirala Memorial Cancer Hospital, refere que o país passou a ter um registo nacional e sistemas que vão além do medicamento e ajudam a melhorar o serviço aos doentes.

No Gana, Lorna Renner, da University of Ghana Medical School, sublinha que melhores dados permitem prever necessidades e abrir oportunidades de colaboração com parceiros.

Dados a impulsionar planeamento nacional

Embora a Global Platform tenha sido lançada há cerca de um ano — demasiado cedo para medir impacto em sobrevivência a longo prazo — a infraestrutura de dados já está a influenciar decisões.

No Gana, os dados ajudaram a mostrar aos decisores a dimensão do cancro pediátrico e a criar condições para avançar com uma estratégia nacional. O país já tinha um plano, mas faltava impulso. Com números mais claros, tornou-se possível planear, prever necessidades de medicamentos e coordenar esforços com parceiros internos e internacionais.

Barreiras que os dados ajudaram a tornar visíveis

Em ambos os países existiam problemas como abandono do tratamento e diagnóstico tardio, associados, em parte, a acesso limitado a medicamentos. Mesmo com melhorias no fornecimento, os dados mostraram que persistem obstáculos relevantes.

No Nepal, a geografia surgiu como um fator central: muitas crianças continuam sem conseguir chegar aos centros existentes devido às distâncias. A resposta planeada passa por abrir novos centros e usar os dados para decidir que quantidades de medicamentos devem ser distribuídas por local.

O Nepal pretende criar pelo menos oito novos centros de cuidados oncológicos e avançar com um modelo de descentralização (Shared Care Network Model). Os hospitais vão recolher e carregar dados sobre diagnóstico, tratamento, cura e abandono terapêutico no SJCARES, um conjunto de ferramentas de apoio à decisão em países com menos recursos, com contratação de gestores de dados dedicados para apoiar esse processo.

Impacto para além do cancro pediátrico

A notícia sublinha que os sistemas criados podem fortalecer cuidados noutras doenças pediátricas.

No Nepal, a intenção é expandir estes sistemas para melhorar dados, participar em investigação colaborativa e reforçar resposta noutras doenças pediátricas além do cancro.

No Gana, já existe interesse em aplicar a mesma infraestrutura a doenças como a doença falciforme, cuja carga é elevada mas nem sempre bem quantificada, dificultando planeamento e tratamento. A expectativa é que dados mais robustos ajudem a compreender melhor a dimensão do problema e a melhorar os cuidados.

Mensagem principal

Ao criar a base necessária para participar na Global Platform, países como o Nepal e o Gana reforçaram capacidade de recolha e análise de dados, melhoraram planeamento de medicamentos e serviços e abriram caminho para decisões de política de saúde e investimento em infraestrutura. O potencial, segundo os envolvidos, é melhorar resultados no cancro pediátrico — e fortalecer sistemas de saúde para outras doenças da infância.

Fonte: St. Jude Research

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