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IA pode ajudar a identificar sobreviventes de cancro pediátrico que precisam de apoio extra

Um estudo de cientistas do St. Jude Children’s Research Hospital (EUA) sugere que a inteligência artificial pode ajudar médicos a perceber quais os sobreviventes de cancro pediátrico que precisam de apoio mais direcionado — e que a qualidade dos resultados depende muito da forma como a IA é “instruída”. O trabalho foi publicado na revista Communications Medicine.

O problema: muita informação útil fica “escondida” nas conversas

Parte importante de uma consulta é a conversa entre doente e médico sobre sintomas e impacto no dia a dia. O estudo lembra que cerca de 40%–60% do encontro clínico pode ser ocupado por este tipo de relato. O desafio é que, muitas vezes, esta informação fica em transcrições e respostas abertas a questionários, difíceis de rever rapidamente.

Como os efeitos tardios do cancro pediátrico e dos tratamentos podem surgir anos depois, identificar quem tem sintomas suficientemente graves para precisar de apoio extra é complexo. A proposta do estudo é usar modelos de linguagem para analisar essa informação e destacar casos com maior necessidade.

Como foi feito o estudo

Os investigadores entrevistaram 30 sobreviventes entre oito e 17 anos e os seus cuidadores. Depois:

  • dois especialistas humanos analisaram as transcrições, procurando sinais de dor e fadiga intensas e impacto na vida diária;
  • essa análise gerou mais de 800 unidades de informação analisáveis;
  • os sintomas foram classificados por gravidade e por impacto físico, cognitivo e social.

A seguir, os investigadores deram as mesmas transcrições a dois modelos de linguagem, ChatGPT e Llama, usando quatro estilos diferentes de instruções (“prompts”), para comparar com a avaliação humana.

O que mudou os resultados: o tipo de prompt

O estudo comparou quatro estratégias de prompting:

  • duas simples (zero-shot e few-shot), com pouca ou nenhuma informação além da instrução básica;
  • duas complexas (chain-of-thought e generated knowledge), com orientação mais estruturada.

As abordagens simples deram resultados instáveis e menos fiáveis. As estratégias complexas tiveram melhor desempenho e maior concordância com os avaliadores humanos.

Segundo os autores, os métodos complexos conseguiram distinguir bem o impacto físico e cognitivo dos sintomas e tiveram uma capacidade moderada para detetar impacto social.

O que isto pode significar na prática

Os investigadores apresentam este trabalho como prova de conceito de que a IA pode ajudar a “desbloquear” informação relevante escondida em conversas que hoje ficam pouco aproveitadas. A expectativa é que, no futuro, isto possa apoiar decisões clínicas, ajudando a identificar em tempo útil quem precisa de acompanhamento e suporte extra.

Ainda assim, os autores sublinham que será necessário muito mais teste antes de uma aplicação clínica rotineira. O estudo sugere, no entanto, que estratégias de prompting mais sofisticadas devem ser a base de trabalhos futuros nesta área.

Fonte: News Medical

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