Investigadores da Indiana University School of Medicine (EUA) identificaram uma possível nova forma de tratar a leucemia mielomonocítica juvenil – uma forma rara e agressiva de cancro pediátrico do sangue – recorrendo a medicamentos já existentes para bloquear uma via inflamatória específica.
Os resultados foram publicados na revista Blood.
Uma leucemia rara e difícil de tratar
Segundo o National Cancer Institute (EUA), a leucemia mielomonocítica juvenil afeta cerca de um a dois casos por cada um milhão de pessoas.
Atualmente, o transplante de medula óssea é o tratamento mais comum. No entanto, algumas variantes da doença provocam inflamação intensa e as opções disponíveis podem não ser eficazes, sobretudo em crianças de alto risco.
Três proteínas que alimentam a doença
No estudo, os investigadores identificaram um conjunto de três proteínas inflamatórias que parecem ter um papel importante na progressão da leucemia. Estas proteínas não só ajudam a doença a crescer, como também enfraquecem a resposta do sistema imunitário, esgotando células T que poderiam combater o cancro e aumentando células que reduzem a ação imunitária.
Em modelos animais e em amostras de doentes, a equipa observou que bloquear esta reação inflamatória em cadeia reduziu a carga da leucemia, ajudou a restaurar a função imunitária, diminuiu o crescimento anormal de células mieloides e melhorou significativamente a sobrevivência.
Medicamentos já existentes podem ser reaproveitados
Os investigadores sugerem que medicamentos já disponíveis, como celecoxib, um anti-inflamatório aprovado pela Food and Drug Administration — FDA (EUA), e secukinumab, um anticorpo anti-IL-17A usado em doenças inflamatórias pediátricas, poderão ser combinados com terapias oncológicas padrão, como os inibidores MEK.
Esta combinação poderá tornar-se uma nova estratégia de tratamento para crianças com leucemia mielomonocítica juvenil de alto risco.
Próximos passos
A equipa pretende agora fazer mais testes pré-clínicos para perceber quais os tipos de células mais vulneráveis a esta via inflamatória e qual a melhor combinação de medicamentos.
Os investigadores querem ainda avaliar se uma simples análise ao sangue, medindo os níveis destas proteínas, poderá ajudar os médicos a prever que crianças têm maior probabilidade de beneficiar desta abordagem.
A mensagem principal é promissora: ao controlar a inflamação que alimenta a doença, poderá ser possível abrir caminho a tratamentos mais eficazes para crianças com esta leucemia rara.
Fonte: Medical Xpress