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Radioterapia paliativa alivia sintomas em 72% dos tratamentos no cancro pediátrico avançado 

Um estudo retrospetivo sugere que a radioterapia paliativa hipofracionada pode aliviar sintomas — sobretudo dor — em crianças e jovens com cancro pediátrico avançado, com boa tolerância e poucos efeitos adversos significativos. Os resultados foram publicados na EJC Pediatric Oncology. 

O trabalho analisou doentes tratados no Cross Cancer Institute (Canadá), em Edmonton, entre 1 de janeiro de 2010 e 2 de agosto de 2024

Porque este tema é relevante 

A prática de radioterapia paliativa em pediatria baseia-se, em grande parte, em dados de adultos. No entanto, os autores lembram que os cancros pediátricos tendem a ser mais radiossensíveis, o que pode significar diferenças na resposta e reforça a necessidade de estudos específicos em cancro pediátrico, sobretudo quando é necessária reirradiação

Quem foi incluído 

O estudo incluiu: 

  • 53 doentes até aos 21 anos 
  • 118 “cursos” de radioterapia paliativa, entre 2010 e 2024 

A idade mediana no momento do tratamento foi 10 anos e 62% dos doentes eram do sexo feminino. A maioria (72%) tinha cinco ou mais lesões metastáticas. Cerca de 15% tinham cirurgia prévia no local tratado e 21% receberam quimioterapia em simultâneo. 

O que contou como radioterapia paliativa 

A radioterapia foi considerada paliativa quando o objetivo principal era melhorar ou prevenir um sintoma, em doentes sem possibilidade de tratamento curativo ou com doença que persistia ou progredia após terapêutica de primeira linha. 

Resultados: alívio sintomático em grande parte dos casos 

No total, 98 dos 118 cursos foram feitos com objetivo de alívio de sintomas. Com um seguimento mediano de 58meses, houve alívio completo dos sintomas em 72% dos cursos destinados a paliar sintomas. 

As taxas de resposta variaram por localização: 

  • 100% de alívio completo em tratamentos na parede torácica e em cabeça/pescoço 
  • 50% em pulmão, fígado e regiões abdomino-pélvicas 

O estudo considerou “alívio completo” quando a resolução dos sintomas foi reportada pela criança/jovem, pelo cuidador ou pelo médico assistente, e quando não foi necessário tratamento adicional nem analgésicos para as lesões tratadas. 

Sobrevivência e controlo da doença a curto prazo 

A sobrevivência livre de progressão foi: 

  • 67,6% aos três meses 
  • 43,1% aos seis meses 

A sobrevivência global foi: 

  • 61,6% aos três meses 
  • 41,0% aos seis meses 

Reirradiação paliativa: bons resultados em poucos casos analisados 

O estudo incluiu nove doentes que receberam 14 cursos de reirradiação paliativa após radioterapia paliativa. 10desses cursos foram feitos para metástases sintomáticas e 90% resultaram em alívio completo dos sintomas. 

Após reirradiação: 

  • sobrevivência livre de progressão: 44,4% aos três meses e 22,2% aos seis meses 
  • sobrevivência global: 71,4% aos três meses e 50,0% aos seis meses 

Segurança e tolerabilidade 

A radioterapia paliativa foi, em geral, bem tolerada: 

  • toxicidades agudas grau 2/3 em 9% dos cursos 
  • sem toxicidades agudas ou tardias grau 4 (ou superiores) 

Conclusão do estudo 

Os autores consideram que estes dados apoiam o uso de radioterapia paliativa em cancros pediátricos avançados e acrescentam informação específica sobre reirradiação. Defendem também a importância de registos clínicos retrospetivos e prospetivos, com dimensão internacional, para reunir amostras maiores e reforçar a robustez das conclusões. 

Fonte: Cancer Therapy Advisor

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