Um novo medicamento poderá ajudar crianças que desenvolvem obesidade hipotalâmica após o tratamento de um tumor cerebral. Num ensaio clínico, o tratamento com setmelanotida permitiu uma redução média de 20% no índice de massa corporal (IMC).
Os resultados foram publicados na revista The New England Journal of Medicine e trazem uma nova perspetiva para uma complicação que, até agora, tinha poucas opções de tratamento eficazes.
Alguns tumores cerebrais podem afetar o hipotálamo, uma região do cérebro que desempenha um papel importante na regulação das hormonas, da sensação de saciedade e do metabolismo. Mesmo quando o tumor é tratado com sucesso, os danos nesta região podem deixar consequências a longo prazo.
Uma delas é a obesidade hipotalâmica. A criança pode sentir uma fome constante e difícil de controlar, ao mesmo tempo que o organismo passa a regular de forma diferente o gasto de energia. Estas alterações podem provocar um aumento significativo do peso e afetar profundamente a saúde e a qualidade de vida.
Um medicamento que atua nos sinais de saciedade
O Princess Máxima Center (Países Baixos) participou num ensaio clínico internacional liderado pelo Seattle Children’s Research Institute (EUA).
Os investigadores avaliaram a setmelanotida, um medicamento que procura restabelecer uma das vias de comunicação do cérebro relacionadas com a saciedade e o gasto de energia.
O tratamento permitiu uma redução média de 20% do IMC. Segundo os investigadores, esta redução poderá continuar nas pessoas que mantenham o tratamento durante mais de um ano.
Hanneke van Santen, oncologista pediátrica no Princess Máxima Center (Países Baixos) e no Wilhelmina Children’s Hospital (Países Baixos), coordenou a participação neerlandesa no estudo.
A especialista explica que, até agora, as opções disponíveis permitiam sobretudo tentar controlar as consequências da obesidade hipotalâmica. A fome persistente, as dificuldades no controlo dos impulsos, a falta de iniciativa e outras alterações associadas podiam ter um impacto muito significativo na vida das crianças e das suas famílias.
Resultados que abrem uma nova possibilidade de tratamento
Além da perda de peso, os investigadores observaram melhorias noutros problemas associados à doença, incluindo a falta de energia e algumas alterações emocionais e comportamentais.
Para a equipa, os resultados representam uma nova esperança para crianças que vivem com obesidade provocada por danos no hipotálamo após o tratamento de um tumor cerebral.
O estudo foi financiado pela Rhythm Pharmaceuticals, fabricante da setmelanotida. Apesar dos resultados positivos, a possibilidade de disponibilizar este medicamento de forma generalizada dependerá agora, entre outros fatores, da sua aprovação e comparticipação para este grupo de doentes.
Fonte: Princess Máxima Center