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Nova combinação de fármacos mostra eficácia promissora em casos de cancro pediátrico raro no cérebro

Uma nova investigação do St. Jude Children’s Research Hospital (EUA) revelou uma combinação de fármacos com potencial para tratar um tipo raro e grave de cancro pediátrico do cérebro — o tumor rabdoide teratoide atípico (ATRT).

Este tumor, que afeta menos de 100 crianças por ano nos EUA, apresenta um prognóstico muito desfavorável e continua a ser um dos maiores desafios na oncologia pediátrica. Neste estudo, a equipa de cientistas testou a combinação de dois medicamentos — idasanutlin e selinexor — e observou uma redução significativa da massa tumoral, aumento da sobrevivência e boa tolerância ao tratamento num modelo laboratorial.

Os resultados foram publicados na revista científica Neuro-Oncology Pediatrics.

Reforçar a ação do p53 para travar o crescimento do tumor

O tratamento proposto atua através da reativação e manutenção da atividade da proteína p53, fundamental para travar o crescimento de células tumorais. O fármaco idasanutlin impede que a proteína MDM2 destrua o p53, aumentando assim os seus níveis. Já o selinexor evita que o p53 seja expulso do núcleo das células tumorais, prolongando a sua ação.

Segundo os investigadores, esta dupla abordagem mostrou-se eficaz tanto em modelos de ATRT como em tumores rabdoides malignos (MRT), que ocorrem fora do sistema nervoso central.

“Os dois fármacos conseguiram atingir concentrações eficazes no cérebro e ativar fortemente a via do p53”, explicou Anang Shelat, do Departamento de Biologia Química e Terapêutica do St. Jude (EUA).

Resistência ao tratamento pode ser ultrapassada

Apesar dos resultados promissores, os investigadores também identificaram que, com o uso prolongado, algumas células tumorais podem desenvolver resistência a esta combinação. Esta resistência parece estar associada à família de proteínas BCL-2, que regula a morte celular. No entanto, os cientistas já estão a testar formas de contornar este mecanismo e manter a eficácia do tratamento.

Esta descoberta abre novas possibilidades de tratamento para crianças com ATRT, um dos cancros pediátricos mais difíceis de tratar, sobretudo em idades muito precoces. A combinação de idasanutlin e selinexor poderá representar um avanço importante no desenvolvimento de terapias mais eficazes e seguras para esta população.

“Esperamos que estes dados estimulem novas investigações nesta área, porque os resultados que obtivemos são realmente encorajadores”, afirmou Martine Roussel, do Departamento de Biologia Celular de Tumores do St. Jude (EUA).

Fonte: Medical Xpress

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