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Cientistas criam mini-tumores em laboratório para melhorar imunoterapia em crianças com tumor cerebral raro

Investigadores do Princess Máxima Center (Países Baixos) desenvolveram, pela primeira vez, mini-tumores em 3D a partir de organoides que imitam o tronco cerebral, com o objetivo de melhorar a imunoterapia com células CAR T em casos de glioma difuso de linha média (DMG) — um tipo raro e ainda incurável de cancro pediátrico do cérebro.

Todos os anos, cerca de 150 crianças nos Países Baixos são diagnosticadas com tumores do sistema nervoso central, incluindo cérebro e medula espinal. Dez desses casos correspondem a DMG. Atualmente, não existe tratamento capaz de curar estas crianças, pelo que há um esforço crescente para encontrar novas abordagens terapêuticas.

Novo modelo de investigação mais próximo da realidade

Através da introdução de mutações genéticas presentes em crianças com DMG, a equipa liderada por Anne Rios conseguiu recriar, em laboratório, um modelo tridimensional que simula com grande realismo o ambiente do tumor no tronco cerebral. O estudo foi publicado na revista Nature Cancer.

Este novo modelo permitiu estudar os efeitos da terapia com células CAR T direcionadas para a proteína GD2, já em fase de ensaio clínico. Embora esta abordagem tenha mostrado algum potencial, os resultados continuam a ser inconsistentes e pouco duradouros.

Obstáculos à eficácia da imunoterapia

Os investigadores observaram os efeitos da terapia ao longo de mais de um mês e incluíram também células imunitárias presentes naturalmente no cérebro. Descobriram que a presença das microglias — células imunitárias do sistema nervoso central — reduzia a eficácia das células CAR T. Mesmo quando estas atacavam o tumor e o faziam encolher, a presença das microglias impedia a destruição total do tumor.

Algumas células CAR T mostraram-se especialmente sensíveis a este efeito e foram ficando “exaustas” ao longo do tempo, um fenómeno também descrito em estudos clínicos. Agora que esse comportamento pode ser replicado em laboratório, os cientistas podem explorar formas de tornar a terapia mais resistente e eficaz.

“Para estudar o verdadeiro comportamento das células CAR T, era essencial recriar um ambiente tão realista quanto possível. Este novo modelo sem recurso a animais permite-nos fazê-lo”, explica Nils Bessler, coautor do estudo.

Próximos passos

A equipa pretende agora refinar ainda mais este modelo para que reflita com maior precisão o que acontece nas crianças com DMG. A investigação continua, com o objetivo de compreender melhor a influência das microglias e desenvolver terapias mais eficazes e duradouras.

Jasper van der Lugt, oncologista pediátrico especializado em tumores cerebrais, sublinha a importância deste trabalho:

“Ainda temos de dizer a todas as crianças com este tumor que vão morrer. A terapia com células CAR T é promissora, mas só com mais conhecimento sobre como estas células funcionam e interagem com o sistema imunitário poderemos mudar esse desfecho. Este modelo é uma ferramenta valiosa para acelerar essa mudança.”

Fonte: Princess Máxima Center

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