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Estudo alerta para risco elevado de recidiva metastática em jovens com cancro

Um novo estudo realizado nos Estados Unidos revelou que quase um em cada dez jovens diagnosticados com cancro sem metástases acaba por desenvolver recidiva metastática — uma condição que reduz significativamente a sobrevivência. Os resultados reforçam a importância de melhorar os cuidados prestados após o fim do tratamento.

A investigação foi conduzida por especialistas do UC Davis Comprehensive Cancer Center (EUA) e publicada na revista JAMA Oncology. Os dados analisam mais de 48 mil casos de jovens entre os 15 e os 39 anos diagnosticados com sete tipos comuns de cancro entre 2006 e 2018, com seguimento até ao final de 2020.

Embora o foco do estudo não tenha sido o cancro pediátrico, os investigadores alertam que compreender estes padrões pode ser útil também para adolescentes em fase de transição para os cuidados de adultos. O estudo destaca que os doentes com cancro colorretal (44,2%) e sarcoma (41,7%) foram os que mais apresentaram doença metastática, seguidos pelos casos de cancro da mama (23,9%), do colo do útero (23,6%) e testicular (21,6%).

Entre os doentes inicialmente diagnosticados sem metástases, os tipos de cancro com maior risco de desenvolver recidiva metastática ao fim de cinco anos foram:

  • Sarcoma (24,5%)
  • Cancro colorretal (21,8%)
  • Cancro do colo do útero (16,3%)
  • Cancro da mama (14,7%)

Em particular, o cancro do colo do útero revelou taxas de recidiva elevadas em todos os estadios, com 41,7% dos casos em estadio 3 a apresentarem metástases posteriormente.

O estudo também identificou variações ao longo do tempo: as recidivas do cancro do colo do útero aumentaram de 12,7% (2006–2009) para 20,4% (2015–2018), enquanto as do cancro colorretal e do melanoma diminuíram. O maior aumento registou-se no estadio 1 do colo do útero; a maior queda, no estadio 3 do melanoma.

A análise conclui ainda que, na maioria dos casos, a sobrevivência é pior quando a metástase surge mais tarde, em comparação com o diagnóstico inicial com doença metastática. Entre os doentes com cancro da mama que sofreram recidiva, o risco de morte quase triplicou. Foram também identificados riscos acrescidos significativos em doentes com cancro do colo do útero, melanoma, sarcoma e cancro colorretal.

“Estes dados mostram como a recidiva metastática continua a ser um desafio grave na sobrevivência ao cancro em idade jovem. É urgente adaptar os cuidados de seguimento para esta população”, afirmou Theresa Keegan, investigadora sénior do estudo.

A análise utilizou dados do California Cancer Registry e registos do California Department of Health Care Access and Information (EUA). A metodologia foi validada com dados da rede Kaiser Permanente Northern California (EUA), com uma taxa de concordância de 96,9%.

Os autores defendem que estudos como este são essenciais para melhorar os sistemas de vigilância, reduzir desigualdades no acesso ao tratamento e desenhar estratégias de prevenção mais eficazes — especialmente para quem teve cancro em idade jovem.
Fonte: Medical Xpress

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