Os avanços no tratamento do cancro pediátrico têm permitido que cada vez mais crianças sobrevivam à doença. Com esta evolução, os especialistas defendem uma abordagem que não considere apenas a cura, mas também a saúde e a qualidade de vida da criança durante o tratamento e nos anos que se seguem.
Peter Cole, responsável pela área de Hematologia e Oncologia Pediátrica do Rutgers Cancer Institute (EUA) e da RWJBarnabas Health (EUA), sublinha que os cuidados devem ter em conta a vida das crianças antes, durante e depois do diagnóstico e tratamento.
Esta perspetiva começa logo no momento do diagnóstico, através de uma avaliação rigorosa da doença, do planeamento do tratamento por equipas multidisciplinares e, quando adequado, do acesso a ensaios clínicos.
Tratamentos adaptados a cada criança
Novas terapêuticas estão também a aumentar as opções disponíveis para alguns cancros pediátricos difíceis de tratar. O transplante de células estaminais e as terapias celulares, incluindo as células CAR-T, podem ser opções para algumas crianças com doença de alto risco ou em recaída.
Mas tratar uma criança implica considerar também o impacto que consultas, procedimentos e períodos afastados da escola, dos amigos e das rotinas podem ter no seu desenvolvimento e bem-estar emocional. Por isso, os cuidados pediátricos procuram integrar cada vez mais estas necessidades ao longo de todo o tratamento.
Acompanhamento deve continuar depois do tratamento
Alguns efeitos dos tratamentos podem surgir meses ou anos mais tarde. Dependendo da doença e das terapêuticas recebidas, podem incluir problemas cardiovasculares, alterações hormonais, dificuldades de fertilidade, segundos cancros ou alterações cognitivas e psicossociais.
Por este motivo, o fim do tratamento não deve significar o fim do acompanhamento. Cada sobrevivente necessita de uma vigilância adaptada aos tratamentos que recebeu e aos riscos que podem surgir ao longo da vida.
Este acompanhamento vai além da saúde física. Algumas crianças podem precisar de apoio no regresso à escola, na adaptação às mudanças emocionais e sociais ou na retoma das rotinas. Pais, cuidadores e irmãos podem também necessitar de apoio após o impacto da doença na vida familiar.
Como alguns efeitos tardios só se manifestam vários anos depois, o acompanhamento pode prolongar-se pela idade adulta. Para os especialistas, o sucesso do tratamento do cancro pediátrico passa, assim, não apenas por tratar a doença, mas por proteger, tanto quanto possível, a saúde e o desenvolvimento futuro de cada criança.
Fonte: Tap Into