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Teste rápido ao ouvido deteta cedo perda auditiva em crianças tratadas com quimioterapia

Um estudo com crianças e adolescentes a fazer quimioterapia sugere que um exame chamado DPOAE (emissões otoacústicas por produtos de distorção) consegue detetar perda auditiva precoce em frequências muito altas – até 16 kHz – de forma mais fiável do que a audiometria tradicional, sobretudo em idades em que é difícil obter respostas consistentes.

A perda auditiva associada a alguns fármacos, em especial derivados de platina, pode afetar a aprendizagem, a integração social e o desenvolvimento global de crianças que sobrevivem ao cancro pediátrico. Por isso, identificar cedo estas alterações pode ajudar as equipas clínicas a ajustar o tratamento, quando existe alternativa menos ototóxica com eficácia semelhante.

O que foi feito

O estudo incluiu doentes entre dois e 19 anos, a receber esquemas com cisplatina, carboplatina ou vincristina. Foram comparados dois métodos de avaliação, ambos até 16 kHz:

  • audiometria tonal (PTA), que exige cooperação ativa;
  • DPOAE, um teste objetivo que mede a função das células ciliadas externas no ouvido interno.

No total, foram realizados 153 exames em 83 doentes. A diferença prática foi clara:

  • apenas 60 audiometrias (PTA) foram consideradas fiáveis;
  • os 153 exames DPOAE até 16 kHz produziram resultados úteis.

Principais resultados

  • As alterações mais relevantes surgiram nas frequências 10–16 kHz (as primeiras a ser afetadas na ototoxicidade).
  • No grupo tratado com cisplatina, houve uma redução significativa dos níveis de DPOAE entre 13 e 16 kHz, sinal compatível com perda auditiva sensorial induzida pelo tratamento.
  • No mesmo grupo, observaram-se ainda aumentos significativos em 2,5 kHz e 3 kHz (um achado específico deste conjunto de dados).
  • A vincristina e a carboplatina não mostraram perda auditiva sensorial relevante, de forma geral, neste estudo.

Porque isto importa

Em crianças pequenas, a audiometria tonal pode falhar por falta de colaboração, o que atrasa a deteção de perda auditiva. O estudo indica que o DPOAE até 16 kHz é:

  • mais exequível em idades pediátricas;
  • mais fiável na prática;
  • e pode detetar sinais de ototoxicidade mais cedo, precisamente onde a perda auditiva tende a começar.

A mensagem central é que medir audição em frequências ultra-altas pode revelar efeitos precoces da quimioterapia, ajudando a proteger a qualidade de vida durante e após o cancro pediátrico.

Fonte: Nature

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