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OMS apresenta nova estratégia para melhorar o acesso a medicamentos para o cancro pediátrico

A ⁠Organização Mundial da Saúde (OMS) apresentou uma nova estratégia global para melhorar o acesso a medicamentos essenciais para o tratamento do cancro pediátrico, especialmente nos países de baixo e médio rendimento.

O plano, que abrange o período de 2026 a 2030, pretende garantir que mais crianças e adolescentes tenham acesso a medicamentos seguros, eficazes e a preços acessíveis, reduzindo as desigualdades que continuam a comprometer a sobrevivência.

O acesso ao tratamento continua a depender do país onde se vive

Todos os anos, cerca de 400 mil crianças e adolescentes são diagnosticados com cancro em todo o mundo, aproximadamente 90% dos quais em países de baixo e médio rendimento.

As diferenças na sobrevivência são significativas. Nos países de rendimento elevado, mais de 80% das crianças com cancro sobrevivem pelo menos cinco anos após o diagnóstico. Em muitos países de baixo e médio rendimento, essa percentagem é inferior a 30%.

Segundo a OMS, estas desigualdades não resultam apenas da falta de novos tratamentos. Muitos dos medicamentos necessários para tratar o cancro pediátrico existem há décadas, mas nem sempre estão disponíveis nos hospitais ou são acessíveis às famílias.

Uma avaliação realizada em 51 hospitais revelou que apenas cerca de 45% dos medicamentos essenciais estavam disponíveis. Além disso, quase metade tinha registado períodos de rutura de stock de pelo menos um mês durante o ano anterior.

Estas interrupções podem comprometer tratamentos que exigem a administração de vários medicamentos em momentos específicos.

Um plano para garantir medicamentos de forma contínua

A nova estratégia estabelece 10 medidas para melhorar a produção, distribuição, qualidade e disponibilidade dos medicamentos.

Entre as prioridades estão o aumento do número de fornecedores, a melhoria da previsão das necessidades de cada país, a compra conjunta de medicamentos e o reforço dos mecanismos de controlo de qualidade.

O plano será desenvolvido em três fases. Entre 2026 e 2027, a prioridade será estabilizar o abastecimento. A partir de 2027, o objetivo será criar sistemas de financiamento e aquisição mais sustentáveis, enquanto, a partir de 2029, serão promovidas medidas para facilitar o acesso a tratamentos inovadores.

A OMS alerta também para a necessidade de garantir a qualidade dos medicamentos. Uma investigação realizada em quatro países da África Subsaariana identificou problemas de qualidade ou falsificação em quase um em cada cinco medicamentos oncológicos analisados.

Mais de 5400 crianças já beneficiaram de uma iniciativa internacional

A estratégia dá continuidade à Global Platform for Access to Childhood Cancer Medicines, criada em 2021 pela OMS em parceria com o ⁠St. Jude Children’s Research Hospital (EUA).

Esta iniciativa procura assegurar o fornecimento contínuo de medicamentos essenciais e ajudar os países a melhorar os seus sistemas de aquisição e distribuição.

Até junho de 2026, tinham sido distribuídas aproximadamente 1,7 milhões de unidades de medicamentos a 31 unidades de saúde, beneficiando mais de 5400 crianças.

A plataforma está em expansão, com novos países a serem considerados para participação.

Melhorar a sobrevivência até 2030

A nova estratégia integra os esforços da OMS para alcançar uma taxa de sobrevivência global de pelo menos 60% no cancro pediátrico até 2030.

A organização reconhece, contudo, que o acesso aos medicamentos é apenas uma parte da solução. O diagnóstico precoce, a existência de profissionais especializados, os cuidados de apoio e o acompanhamento adequado continuam a ser fundamentais.

O objetivo é que a possibilidade de uma criança sobreviver ao cancro dependa cada vez menos do país onde nasceu e cada vez mais da disponibilidade de cuidados e tratamentos adequados às suas necessidades.

Fonte: OncoDaily

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