Uma equipa da Stanford Stem Cell Institute (EUA) defende que a investigação realizada no espaço poderá ajudar a compreender melhor a forma como o cancro se desenvolve e contribuir para o desenvolvimento de novos tratamentos. As conclusões foram publicadas na revista científica The Lancet Oncology.
Ao longo de um programa de investigação com duração de cinco anos, os cientistas realizaram nove missões para a Estação Espacial Internacional (ISS), onde estudaram células estaminais e modelos associados ao cancro num ambiente de microgravidade e exposição à radiação espacial.
Os investigadores observaram que estas condições aceleram o envelhecimento das células estaminais, alteram o funcionamento do sistema imunitário e provocam instabilidade genética e molecular. Estes fenómenos podem ajudar a compreender melhor a evolução dos tumores e a forma como as células cancerígenas conseguem escapar às defesas do organismo.
O estudo sugere ainda que a microgravidade pode influenciar a estrutura de determinadas proteínas, criando novas oportunidades para o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes.
Embora esta investigação esteja ainda numa fase inicial, os autores acreditam que o espaço pode tornar-se uma plataforma única para estudar mecanismos biológicos difíceis de reproduzir na Terra. Estes conhecimentos poderão, no futuro, contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais personalizados para vários tipos de cancro, incluindo o cancro pediátrico.
Fonte: Medscape