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Curados em crianças, em risco em adultos? Estudo analisa saúde após os 50 em sobreviventes de cancro pediátrico

Um artigo publicado no Journal of Clinical Oncology analisou o que acontece para lá da cura: como é a saúde de pessoas que tiveram cancro pediátrico e chegaram à idade adulta, depois dos 50 anos. A análise baseia-se em dados do Childhood Cancer Survivor Study e chama a atenção para a importância de olhar para os efeitos tardios do tratamento, décadas após o diagnóstico.

O que os investigadores estudaram

Os autores avaliaram, em sobreviventes com mais de 50 anos:

  • mortalidade por causa específica;
  • incidência de novos cancros;
  • condições crónicas de saúde;
  • fragilidade e estado geral de saúde.

Os resultados foram comparados com a população geral dos Estados Unidos (EUA) da mesma faixa etária.

Quem foi incluído

O estudo analisou 7 490 sobreviventes de cancro pediátrico que chegaram aos 50 anos.

O que foi encontrado a partir dos 50 anos

A mortalidade nos cinco, 10 e 15 anos seguintes a completar 50 anos foi de:

  • 8% aos cinco anos
  • 18% aos 10 anos
  • 32% aos 15 anos

Radiação surge como fator-chave

Um ponto relevante do estudo é a diferença entre quem recebeu ou não radioterapia no tratamento do cancro pediátrico:

  • sobreviventes sem radioterapia tiveram um risco de novo cancro semelhante ao da população geral a partir dos 50 anos;
  • sobreviventes com radioterapia mostraram um risco maior de cancros secundários ou de novos cancros primários.

Além disso, os sobreviventes apresentaram um risco cerca de duas vezes maior de desenvolver condições crónicas graves, potencialmente fatais, associadas à exposição a radioterapia.

E a quimioterapia?

Segundo a análise apresentada, o estudo não identificou uma associação entre a quimioterapia recebida em idade pediátrica e os efeitos de saúde observados depois dos 50 anos. Ainda assim, é sublinhada a necessidade de mais dados e de interpretação cuidadosa, até porque os tratamentos de há décadas são diferentes dos atuais, tanto nas doses como nas estratégias de radioterapia e quimioterapia.

A mensagem principal

Com as elevadas taxas de cura no cancro pediátrico, esta investigação reforça um ponto essencial: o sucesso não deve ser medido apenas nos primeiros cinco anos, mas também no que acontece 20, 30 ou 40 anos depois. O objetivo é garantir vidas longas e com qualidade, reduzindo ao máximo os riscos tardios associados aos tratamentos.

Fonte: Medscape

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