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Sobreviventes de cancro pediátrico podem ter maior risco de meningiomas na idade adulta

Um estudo liderado por investigadores do UT Southwestern Medical Center (EUA) concluiu que algumas quimioterapias estão associadas a um risco aumentado, a longo prazo, de meningiomas em sobreviventes de cancro pediátrico. Os resultados foram publicados na JAMA Network Open e têm implicações importantes para o seguimento de adultos que tiveram cancro em idade pediátrica, especialmente após tratamento de leucemias e tumores cerebrais.

O que são meningiomas

Os meningiomas são tumores que se formam nas membranas que envolvem o cérebro e a medula espinal. A maioria é benigna e tratável, mas neste grupo de sobreviventes o risco pode aumentar ao longo da vida adulta.

Como foi feito o estudo

A equipa analisou dados do Childhood Cancer Survivor Study (CCSS), com 24 886 pessoas diagnosticadas com cancro antes dos 21 anos, entre 1970 e 1999, e que sobreviveram pelo menos cinco anos após o diagnóstico.

Entre estes sobreviventes:

  • 471 foram diagnosticados com meningioma;
  • no total, surgiram 710 meningiomas, décadas depois do tratamento inicial.

Principais resultados

  • Aos 35 anos após o diagnóstico do cancro pediátrico, a incidência cumulativa de meningioma foi de 2,3%, continuando a aumentar ao longo da idade adulta.
  • A radioterapia craniana já era conhecida como um fator de risco importante, mas o estudo mostra que algumas quimioterapias também parecem aumentar o risco de forma independente (mesmo considerando a exposição à radiação).
  • Foram identificados como fatores de risco independentes: agentes à base de platina, quimioterapia antimetabolito e metotrexato intratecal.
  • O risco foi mais elevado em mulheres e em pessoas diagnosticadas com cancro em idades mais jovens.
  • Quase um terço das pessoas afetadas desenvolveu múltiplos meningiomas.
  • O seguimento a longo prazo mostrou mortalidade relevante: quase uma em cinco pessoas com meningioma morreu nos 15 anos seguintes ao diagnóstico, sendo o próprio meningioma a causa de morte mais frequente no grupo.

O que isto significa para o acompanhamento

Ao contrário do que acontece na população geral — em que os meningiomas tendem a surgir mais tarde — neste estudo os tumores apareceram mais cedo, reforçando a necessidade de seguimento ao longo da vida, ajustado ao risco.

Ainda assim, os autores sublinham que o risco global continua a ser baixo e é muito baixo em quem não foi exposto a radioterapia craniana. O rastreio deve ser ponderado sobretudo em adultos com sintomas como dores de cabeça, fraqueza ou alterações de comportamento.

Fonte: MedicalXpress

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