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Sobreviventes de cancro pediátrico têm risco aumentado de meningioma décadas mais tarde

Um estudo liderado por uma equipa do UT Southwestern Medical Center (EUA), em Dallas, publicado na JAMA Network Open, concluiu que alguns tratamentos usados no cancro pediátrico estão associados a um risco aumentado, a longo prazo, de desenvolver meningiomas (tumores que surgem nas membranas que envolvem o cérebro e a medula espinal).

Embora estes tumores sejam, muitas vezes, benignos e tratáveis, o risco nos sobreviventes pode continuar a aumentar ao longo da vida adulta, o que reforça a importância de um acompanhamento prolongado, sobretudo em pessoas tratadas por leucemias e tumores cerebrais.

Principais dados do estudo

  • A incidência cumulativa de meningioma foi de 2,3% aos 35 anos após o diagnóstico do cancro pediátrico.
  • Os sobreviventes que desenvolveram meningiomas fizeram-no, em média, décadas mais cedo do que acontece na população geral.
  • O risco foi 1,6 vezes mais elevado em raparigas/mulheres do que em rapazes/homens.
  • Ser diagnosticado em idades mais jovens aumentou o risco: por exemplo, diagnóstico entre zero e quatro anos teve um hazard ratio de 4,0.

Quimioterapias que parecem aumentar o risco (mesmo sem radioterapia)

Um dos resultados mais relevantes foi a identificação de fármacos que podem contribuir para meningiomas independentemente da exposição à radiação. Entre os fatores de risco identificados estão:

  • agentes à base de platina;
  • antimetabolitos;
  • metotrexato intratecal (e outras quimioterapias intratecais);
  • 6-mercaptopurina.

E o papel da radioterapia?

A radioterapia craniana continua a ser um fator de risco major. Doses elevadas estiveram associadas a um hazard ratio de 125,3. Ainda assim, os autores referem que, no conjunto dos sobreviventes, o risco global continua a ser baixo, e é muito baixo em quem não recebeu radioterapia craniana.

Como foi feito o estudo

Foi um estudo retrospetivo com dados do Childhood Cancer Survivor Study (EUA), um consórcio financiado pelo National Cancer Institute (EUA). Incluiu 24 886 pessoas diagnosticadas com cancro antes dos 21 anos, entre 1970 e 1999, que sobreviveram pelo menos cinco anos após o diagnóstico.

No total:

  • 471 sobreviventes foram diagnosticados com 710 meningiomas;
  • 263 eram do sexo feminino;
  • a idade mediana no diagnóstico do cancro foi 5,6 anos;
  • a idade mediana no último seguimento foi 42,5 anos.

Vigilância e segurança

Os investigadores indicam que, por agora, o rastreio deve ser considerado sobretudo em adultos com sintomas como dores de cabeça, fraqueza ou alterações de comportamento.

Apesar de muitos meningiomas serem tratáveis, o estudo descreve mortalidade relevante após o diagnóstico:

  • mortalidade cumulativa por todas as causas de 4,9% aos cinco anos;
  • 10,5% aos 10 anos;
  • 18,4% aos 15 anos.

Estes resultados reforçam a necessidade de aconselhamento e seguimento especializados para sobreviventes de cancro pediátrico com maior risco, ao longo de toda a vida.

Fonte: Cure

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