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Sobreviventes de neuroblastoma de alto risco enfrentam efeitos tardios significativos

Nos últimos 20 anos, os tratamentos para neuroblastoma de alto risco — uma forma de cancro pediátrico — passaram a incluir múltiplos transplantes de células estaminais e imunoterapia, além da quimioterapia intensiva. Esta combinação aumentou consideravelmente as taxas de sobrevivência. Mas os desafios não terminam com o fim do tratamento.

Um estudo agora publicado na revista The Lancet Child & Adolescent Health revela que a maioria dos sobreviventes sofre de efeitos tardios significativos e duradouros, como perda auditiva, problemas de crescimento e dificuldades respiratórias.

Mais de metade dos sobreviventes tem complicações a longo prazo

O estudo acompanhou 375 sobreviventes de neuroblastoma de alto risco, diagnosticados a partir de 2000 e com idades entre os cinco e os 50 anos no momento da participação. Os dados foram recolhidos entre 2017 e 2021 em 88 hospitais da Children’s Oncology Group (EUA, Canadá, Nova Zelândia e Austrália).

Alguns dos principais resultados:

  • 72% apresentavam perda auditiva moderada a severa;
  • 51% estavam abaixo do peso esperado;
  • 24% apresentavam atraso no crescimento;
  • 8% tinham capacidade pulmonar reduzida.

Mais de dois terços dos participantes tinham pelo menos dois efeitos tardios clinicamente relevantes, sendo que o risco aumentava com o tempo de seguimento.

Causas e consequências

A perda auditiva está associada à quimioterapia usada no tratamento, algo já documentado anteriormente. Mas os autores do estudo destacam que o impacto no peso e crescimento foi surpreendente. O atraso no crescimento é considerado um sinal de envelhecimento acelerado, algo que pode levar a complicações crónicas em idade precoce.

Crianças submetidas a mais do que um transplante de células estaminais apresentaram maior risco de crescimento comprometido e alterações respiratórias. Por outro lado, a imunoterapia não pareceu aumentar o risco de efeitos tardios.

Um alerta para cuidados a longo prazo

O neuroblastoma representa entre 8% a 10% dos cancros pediátricos, sendo geralmente diagnosticado antes dos cinco anos. Metade dos casos é considerada de alto risco.

No passado, a taxa de sobrevivência a cinco anos para estas crianças era inferior a 25%. Hoje, quem conclui todas as fases do tratamento tem uma probabilidade de 66% de estar livre de eventos ao fim de três anos.

Os dados deste estudo vão servir para atualizar as recomendações da Children’s Oncology Group para o acompanhamento de sobreviventes, reforçando a importância de rastreios com base no tipo de tratamento recebido.

A mensagem é clara: sobreviver ao cancro pediátrico é uma conquista, mas exige um acompanhamento atento e personalizado ao longo da vida para mitigar os efeitos dos tratamentos intensivos.

Fonte: Medical Xpress

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