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Antibiótico já existente pode travar cancro pediátrico agressivo

Um antibiótico antigo, usado há décadas na medicina veterinária, pode vir a tornar-se uma nova opção terapêutica para rabdomiossarcoma, um dos cancros pediátricos mais agressivos dos tecidos moles. Um estudo recente mostra que o tiostreptão conseguiu travar o crescimento tumoral em modelos laboratoriais e animais, com bons resultados e sem sinais relevantes de toxicidade.

O rabdomiossarcoma representa até 10% dos cancros pediátricos e cerca de metade dos sarcomas dos tecidos moles em crianças. Apesar dos avanços no tratamento dos casos de baixo e médio risco, as formas metastáticas ou de alto risco continuam a ter taxas de sobrevivência inferiores a 30%, em grande parte devido à resistência aos tratamentos e à toxicidade acumulada.

Resultados promissores em laboratório e em animais

A investigação foi conduzida por uma equipa do Children’s Hospital of Chongqing Medical University (China) e publicada na revista Pediatric Discovery. Os investigadores recorreram a análises bioinformáticas e a experiências laboratoriais para identificar medicamentos já existentes com potencial anticancerígeno.

O tiostreptão destacou-se por conseguir:

  • Reduzir a multiplicação das células tumorais;
  • Travar a sua migração e invasão;
  • Induzir a morte das células cancerígenas;
  • Bloquear o ciclo celular.

Em modelos animais, o tratamento levou a uma redução significativa do volume tumoral, sem danos visíveis nos órgãos vitais.

Como atua o tiostreptão

As análises genéticas mostraram que o tiostreptão atua sobretudo ao bloquear a via de sinalização PI3K–AKT, um mecanismo fundamental para a sobrevivência, crescimento e disseminação das células cancerígenas. Esta via está frequentemente associada à resistência aos tratamentos em vários tipos de cancro pediátrico.

Ao inibir este sistema, o fármaco torna as células tumorais mais frágeis e menos capazes de sobreviver. Quando os investigadores reativaram artificialmente esta via, parte do efeito do medicamento foi revertido, confirmando o seu papel central.

Um passo importante para novas terapias

O tiostreptão foi isolado pela primeira vez nos anos 1950 e tem um perfil de segurança já bem conhecido, o que pode facilitar o seu reaproveitamento em oncologia pediátrica. Segundo os autores, esta característica pode acelerar os próximos passos da investigação.

O estudo abre caminho a novas abordagens terapêuticas para formas agressivas de rabdomiossarcoma, incluindo a possibilidade de combinar este fármaco com outros tratamentos, para aumentar a eficácia e reduzir os efeitos secundários.

Apesar dos resultados animadores, os investigadores sublinham que são ainda necessários ensaios clínicos em crianças para confirmar a segurança e a eficácia deste antibiótico no contexto do cancro pediátrico. Se os dados forem validados, o tiostreptão poderá vir a ser uma alternativa mais acessível e menos tóxica para crianças em situações de maior risco.

Fonte: EurekAlert

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