Há livros que contam histórias e há livros que também ajudam a escrevê-las. A Menina que Lambeu o Gato, de Adriana Ribeiro, nasceu de uma experiência profundamente pessoal vivida durante o tratamento da filha no IPO e transformou-se num projeto solidário, cujo valor das vendas reverteu para a apoiar a Fundação Rui Osório de Castro.
Tudo começou durante o internamento da filha, quando a autora encontrou na escrita uma forma de enfrentar os dias mais difíceis.
“Quando fui com a minha filha para o IPO, comecei a escrever para contar, de forma romanceada, aquilo que nos estava a acontecer. Partilhava esses textos nas redes sociais, acompanhados, quase sempre, por um desenho dela. Quem conhecia a nossa história reconhecia, nas entrelinhas, o que estávamos a viver.”
Mais tarde, esses textos passaram também a ter uma dimensão solidária.
“Comecei a ‘trocar’ textos por donativos para a Associação Acreditar: cada texto era dedicado a alguém que, em troca, fazia um donativo (de valor anónimo e à sua escolha) diretamente à associação.”
Para Adriana Ribeiro, escrever tornou-se um refúgio durante o tratamento da filha.
“Escrever, e imaginar cada novo texto, tornou-se uma forma de escapar aos dias longos e difíceis que atravessávamos. Era uma maneira de tornar tudo um pouco mais doce, através das palavras e da imaginação.”
Quando regressou à rotina, decidiu reunir alguns desses textos e transformá-los num livro, pensado como uma recordação para a filha.

“Quando regressámos à ‘vida normal’, reuni alguns desses textos e procurei dar-lhes a forma de uma história. Queria que ficassem como uma memória para a minha filha: uma memória feita de amor, humor e muitos animais, como ela tanto gosta.”
A publicação só fez sentido se pudesse manter o espírito com que o projeto nasceu: rodeado de pessoas próximas e com um propósito maior.
“Quando me incentivaram a publicá-la, só fez sentido fazê-lo se o livro nascesse em colaboração com pessoas de quem gosto muito e se tivesse um propósito ligado à Oncologia Pediátrica. Este livro é, acima de tudo, um objeto de amor.”
Foi precisamente esse propósito que levou a autora a associar o projeto à Fundação Rui Osório de Castro, contribuindo para apoiar a investigação em Oncologia Pediátrica.
“Associar este projeto à Fundação Rui Osório de Castro, através deste donativo, é uma forma de contribuir com o meu (ou melhor, o nosso, porque este é um projeto de muitas pessoas) grão de areia para a investigação na área da Oncologia Pediátrica. O avanço da investigação e dos tratamentos é essencial para que, no futuro, haja menos mortalidade e menos efeitos secundários para as crianças que enfrentam esta doença.”
Para Adriana Ribeiro, o livro representa também a transformação de um período difícil em algo capaz de gerar impacto positivo.
“Este livro é também a materialização do período difícil, transformado em algo positivo, com um propósito maior. Espero que possa ajudar a mudar a vida de alguém e que possa inspirar outros pais e, um dia, também a minha filha.”