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Itaconato surge como novo alvo para tratar ependimomas no cancro pediátrico

Os ependimomas são tumores que crescem no cérebro ou na medula espinal e estão entre os tumores cerebrais mais frequentes em crianças. Nos Estados Unidos (EUA), afetam cerca de 250 crianças por ano e são mais vezes diagnosticados em crianças com oito anos ou menos. Apesar de décadas de investigação, os tratamentos atuais tendem a prolongar a sobrevivência, mas nem sempre conseguem curar a doença.

Um novo estudo da University of Michigan (EUA) identificou uma molécula chamada itaconato como um possível “motor” do crescimento destes tumores e, por isso, como um novo alvo para futuras terapias dirigidas. O trabalho foi publicado na Nature.  

O que os investigadores descobriram

Mais de 80% dos ependimomas que surgem na parte superior do cérebro têm uma fusão de proteínas chamada ZFTA-RELA. Estudos anteriores já tinham mostrado que ZFTA e RELA, isoladamente, não parecem causar cancro, mas juntas conseguem promover o crescimento tumoral.

Ao estudar modelos animais e linhas celulares de ratinho e de doentes, a equipa observou algo inesperado: as células do ependimoma produzem itaconato — um metabolito que é mais conhecido por ser produzido por células do sistema imunitário (macrófagos) em resposta a infeções.  

Porque isto pode abrir caminho a novos tratamentos

Os investigadores bloquearam a enzima ACOD1 (responsável por produzir itaconato) em modelos de ratinho e conseguiram reduzir o crescimento tumoral.

Depois, ao analisarem o que mudava nas células quando ACOD1 estava ausente, encontraram um ciclo de reforço: o itaconato e a fusão ZFTA-RELA parecem aumentar-se mutuamente, ajudando o tumor a crescer. Este ciclo depende da glutamina, um aminoácido usado como “matéria-prima” para a síntese de itaconato. Quando interromperam este mecanismo, os níveis de ZFTA-RELA diminuíram e o tumor encolheu nos modelos animais.  

Próximos passos: ensaios clínicos mais dirigidos

Os autores descrevem este trabalho como um passo importante porque sugere, pela primeira vez, uma forma de atingir diretamente a fusão ZFTA-RELA neste tipo de tumor. A equipa refere também que está a colaborar no desenvolvimento de um ensaio clínico para testar abordagens que visem a via do itaconato em doentes com ependimoma, em conjunto com o Pediatric Neuro-Oncology Consortium (EUA).  

Fonte: MedicalXpress

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