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Imunoterapia oferece esperança no tratamento de cancros raros do fígado em jovens e adolescentes

O carcinoma hepatocelular (CHC) pediátrico e o carcinoma fibrolamelar são formas raras e agressivas de cancro do fígado que afetam sobretudo adolescentes e jovens adultos.

Agora, numa nova investigação liderada por Allison O’Neill, diretora do Liver Tumor Center no Dana-Farber/Boston Children’s Cancer and Blood Disorders Center (EUA), propões que uma classe de medicamentos de imunoterapia, conhecidos como inibidores do ponto de verificação, pode ser uma opção de tratamento eficaz para doentes pediátricos com carcinomas do fígado. Os resultados foram publicados na revista eBioMedicine.

Carcinomas hepáticos pediátricos imitam a doença do adulto

A maioria dos tumores sólidos pediátricos é menos complexa do que os tumores dos adultos, em termos genómicos. O CHC primário pediátrico parece ser uma exceção: estes tumores partilham semelhanças suficientes com o CHC do adulto para os tornar uma boa doença para estudar a imunoterapia, diz O’Neill: “Os carcinomas hepáticos pediátricos imitam a doença do adulto mais do que a maioria das doenças malignas pediátricas”, explica.

Para perceberem melhor, a investigadora e os seus colegas, identificaram seis adolescentes com CHC primário avançado (CHC convencional ou carcinoma fibrolamelar) e propuseram-lhes um tratamento com um inibidor do ponto de controlo isolado ou em combinação com outras terapias sistémicas e intervenções de controlo local. Os inibidores do ponto de controlo – como o pembrolizumab e o nivolumab – impedem que determinadas proteínas das células T se liguem a proteínas das células tumorais, o que permite que as células T reconheçam melhor o tumor e combatam a doença.

Fatores genómicos podem prever a resposta

Dos seis doentes, três responderam aos inibidores do ponto de controlo: dois conseguiram estabilizar a doença durante um período prolongado e um obteve uma resposta completa à terapêutica. Este último tinha carcinoma fibrolamelar metastático recorrente – uma doença normalmente considerada incurável.

O’Neill e a sua equipa acreditam que esta resposta ao tratamento está ligada a fatores clínicos e genómicos, que podem ter um papel importante no sucesso da resposta. Por exemplo, os que responderam à imunoterapia tendiam a ter uma doença de menor carga predominantemente no pulmão, um local mais acessível às células imunitárias. Além disso, o doente que obteve uma resposta completa tinha um perfil genómico tumoral com provas de um infiltrado imunitário tumoral mais robusto, ou seja, havia uma maior quantidade de células do sistema imunológico dentro do tumor, e marcadores de ativação das células imunitárias, que indicam que as células imunológicas estavam mais ativas no combate ao cancro.

“O perfil genómico dos tumores pediátricos pode fornecer informações importantes sobre quais os tumores que têm maior probabilidade de responder às imunoterapias e orientar os doentes a serem tratados com esta abordagem no futuro”, explica O’Neill.

Apenas o começo

Apesar do pequeno tamanho da amostra, é um avanço promissor no tratamento do carcinoma hepático pediátrico. Os resultados não só sugerem que determinados perfis de expressão tecidular podem prever um subconjunto de doentes com maior probabilidade de responder aos inibidores dos pontos de controlo, como também podem inspirar a análise de fatores semelhantes em doentes pediátricos com outros tipos de cancro tratados com imunoterapia.

Fonte: Medical Xpress

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