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FMUP e RISE-Health criam modelo molecular para melhorar prognóstico do cancro da tiroide em crianças e jovens

Uma equipa internacional com participação da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto – FMUP (Portugal) e da unidade de investigação RiSE-Health (Portugal) desenvolveu um modelo molecular que pode ajudar a prever melhor o risco a longo prazo em crianças e jovens adultos com cancro da tiroide. O objetivo é adaptar o seguimento ao risco de cada doente e evitar tratamentos desnecessários nos casos com evolução mais favorável.

O estudo foi publicado no European Thyroid Journal e tem como primeira autora Sule Canberk, investigadora da FMUP e do RiSE-Health.

“Mostrámos que as alterações genéticas do tumor podem ajudar a perceber melhor a evolução da doença e a adaptar o acompanhamento de cada criança ou jovem. Este é um passo importante numa área em que a informação genética ainda está a ser integrada na prática clínica”, afirma Sule Canberk.

Um paradoxo clínico no cancro da tiroide

O cancro diferenciado da tiroide nestas idades é descrito como um paradoxo: apesar de, por vezes, se apresentar de forma agressiva no início, o prognóstico a longo prazo é geralmente excelente, com mortalidade muito baixa.

A equipa quis perceber se certas mutações (alterações no ADN do tumor) conseguiam prever resultados melhores ou piores no seguimento.

Como foi feito o estudo

Os investigadores analisaram uma coorte de 363 doentes com idades entre zero e 25 anos, que fizeram testes moleculares e foram submetidos a cirurgia. A equipa estudou a relação entre as mutações e o estado da doença na consulta de acompanhamento, usando critérios de resposta ao tratamento da Associação Americana da Tiroide.

Os resultados indicam que o perfil genético pode dar informação prognóstica valiosa independentemente do tipo de cancro da tiroide e da idade.

Que mutações se associaram a melhor ou pior evolução

  • RAS: associada a evolução favorável
  • DICER1: associada a resultados excelentes
  • NTRK1/3, BRAF V600E e RET: associadas a resultados menos favoráveis

A investigadora sublinha ainda que “embora o prognóstico tenha melhorado progressivamente com a idade, o estado de mutação permanece como o fator dominante na determinação dos resultados”.

O que isto pode mudar no seguimento

A conclusão do estudo aponta para um benefício prático: ajustar o acompanhamento a cada doente, com mais atenção nos casos de maior risco e menos intervenções desnecessárias quando o perfil é mais favorável.

Colaboração internacional

O trabalho inclui vários coautores, com destaque para Fernando Schmitt, professor da FMUP e diretor do RiSE-Health. A equipa integra ainda investigadores da Universidade de Istambul (Turquia), Universidade de Nápoles (Itália), do Children’s Hospital of Philadelphia (EUA), da University of Pennsylvania (EUA) e do Vanderbilt Children’s Hospital (EUA).

Fonte: Notícias Universidade do Porto

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