Nos últimos anos, os avanços na pesquisa do cancro pediátrico têm diminuído as taxas de mortalidade de crianças diagnosticadas com a doença.
Com a diminuição destas taxas, os profissionais de saúde estão a tomar medidas para proteger os pequenos pacientes dos efeitos secundários dos tratamentos, sendo que uma das formas mais recentes é um procedimento chamado criopreservação.
“Com tanta coisa a acontecer na época do diagnóstico e do tratamento, a fertilidade é algo que fica negligenciada”, disse Zaraq Khan, especialista em endocrinologia reprodutiva e infertilidade na Mayo Clinic, nos Estados Unidos.
Embora pareça estranho que os médicos se preocupem com a fertilidade enquanto uma criança lida com o cancro, para Zaraq Khan isso é uma prova do quão grande foi a evolução da pesquisa para esta doença.
“Estamos num momento em que existem excelentes taxas de sobrevivência para o cancro infantil, graças aos excelentes tratamentos. Mas, infelizmente, muitas vezes os mesmos tratamentos que salvam vidas têm um papel na diminuição da fertilidade. Então, para mim, o ideal será oferecer tratamentos que sejam eficazes contra o cancro mas que não tenham que estar relacionados com a diminuição da fertilidade”, disse o médico.
Khan diz que alguns pacientes passam pelo que é chamado de criopreservação de gametas, um processo onde é recolhido tecido testicular, ou ovariano, que é depois congelado e preservado até que os doentes “entrem em remissão. De seguida, transferimos esse tecido de volta para os pacientes, para que eles possam recuperar o seu potencial de fertilidade”, explicou Zaraq Khan.
“No momento em que estes pacientes se deparam com notícias tão devastadoras como é o diagnóstico do cancro, dar esperança e um vislumbre de felicidade para o futuro destes pacientes é algo que lhes dará alguma paz durante o longo caminho que eles têm de percorrer”, concluiu.