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Estilo de vida saudável pode proteger sobreviventes de cancro pediátrico

Dois novos estudos internacionais indicam que hábitos de vida saudáveis podem ajudar a reduzir o risco de doença cardiovascular e de outras complicações crónicas em sobreviventes de cancro pediátrico.

Crianças e adolescentes que sobrevivem ao cancro podem ter maior risco de problemas de saúde ao longo da vida, muitas vezes associados aos tratamentos que permitiram curar a doença. Agora, investigação liderada por equipas da University of Gothenburg (Suécia)⁠ e do St. Jude Children’s Research Hospital (EUA)⁠ mostra que fatores como atividade física, peso saudável, não fumar e evitar consumo elevado de álcool podem ter um papel protetor.

Mais de 18 mil sobreviventes acompanhados até 30 anos

Num dos estudos, publicado na revista Nature Communications⁠, foram acompanhados mais de 18 milsobreviventes de cancro pediátrico durante até 30 anos.

Os resultados mostram que uma parte importante dos problemas crónicos que surgem na idade adulta pode estar associada a fatores de estilo de vida, como inatividade física, obesidade, tabagismo e consumo elevado de álcool.

Segundo os investigadores, estes fatores podem ter um peso comparável ao impacto de tratamentos anteriores, como radioterapia e quimioterapia, na carga de doença em idade adulta.

Atividade física pode reduzir risco cardiovascular

O segundo estudo, publicado na revista JACC: CardioOncology⁠, analisou mais de 2 300 sobreviventes de linfoma de Hodgkin tratados em criança ou na adolescência.

A investigação concluiu que a falta de exercício regular contribui para uma incidência 1,4 vezes superior de doença cardiovascular neste grupo, quando comparada com a carga total de doença na população geral. Isto sugere que a atividade física pode ajudar a reduzir o risco adicional associado aos tratamentos oncológicos.

Apoio a longo prazo é essencial

Para Aron Onerup, pediatra e investigador na University of Gothenburg (Suécia)⁠, estes resultados mostram que o estilo de vida tem um papel maior do que se pensava. Ao contrário dos tratamentos já realizados, os hábitos de vida podem ser modificados.

Onerup é investigador em Pediatria na Sahlgrenska Academy da University of Gothenburg (Suécia)⁠ e médico especialista no Pediatric Cancer Center do Queen Silvia Children’s Hospital, integrado no Sahlgrenska University Hospital (Suécia)⁠.

Os investigadores defendem que o apoio a estilos de vida saudáveis deve fazer parte do seguimento a longo prazo dos sobreviventes de cancro pediátrico, incluindo na infância, adolescência e idade adulta.

A mensagem principal é clara: depois do tratamento, continuar a acompanhar os sobreviventes é fundamental — não apenas para vigiar efeitos tardios, mas também para promover hábitos que possam proteger a saúde ao longo da vida.

Fonte: Medical Xpress

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