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Tratamentos no cancro pediátrico deixam “marcas” no ADN e podem ajudar a prever segundos cancros

Cientistas do St. Jude Children’s Research Hospital (EUA) descrevem como tratamentos que salvam vidas no cancro pediátrico podem deixar “impressões digitais” no ADN – padrões de mutações que, décadas mais tarde, surgem em segundos tumores (cancros ou doenças semelhantes a cancro). Os resultados foram publicados na revista Cancer Discovery.

A descoberta pode ajudar a reduzir riscos a longo prazo, melhorando a vigilância e a deteção precoce de segundos tumores em sobreviventes.

O que os investigadores fizeram

Para perceber a ligação direta entre terapias e segundos tumores, a equipa analisou mutações em amostras de tumores posteriores de 160 sobreviventes que desenvolveram:

O objetivo foi identificar padrões associados a tratamentos recebidos anos antes, e distingui-los de alterações que poderiam ocorrer apenas com o envelhecimento.

Para isso, os investigadores usaram sequenciação do genoma e do exoma, além de sequenciação de ARN, em amostras de segundos tumores de participantes do Childhood Cancer Survivor Study (CCSS) e compararam esses resultados com tumores semelhantes na população geral.

O que encontraram: “assinaturas” específicas de tratamento

O estudo descreve que radioterapia e quimioterapia deixam assinaturas mutacionais distintas no ADN dos segundos tumores.

  • Radioterapia: associada às alterações de ADN mais frequentes e mais extensas, e ao maior risco de tumores secundários da tiroide.
  • Alguns quimioterápicos também deixaram marcas identificáveis:
    • agentes do tipo “mostardas de azoto” e fármacos à base de platina causaram alterações mais pequenas, mas com padrões específicos.
    • em certos casos, fármacos à base de platina estiveram associados a mutações preferenciais no gene NF2, o que pode aumentar o risco de meningioma.

Segundo os autores, estes padrões podem ajudar a antecipar que segundos tumores são mais prováveis, de acordo com o historial terapêutico de cada sobrevivente.

O que isto pode mudar no futuro

Os investigadores defendem que este trabalho abre caminho para:

  • ajustar tratamentos para reduzir mutações “indesejáveis” no ADN;
  • desenvolver terapias que evitem vias com maior risco;
  • personalizar o seguimento dos sobreviventes, com vigilância adaptada ao tipo de tratamento recebido, para detetar segundos tumores na fase mais precoce e tratável.

A ideia central é reforçar cuidados de sobrevivência mais personalizados no cancro pediátrico, não só durante o tratamento, mas ao longo de toda a vida.

Fonte: Medical Xpress

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