Aos 4 anos, Joshua Giambattista tinha um medo irracional a agulhas. A sua mãe, Cheryl, lembra-se de ver o filho escondido debaixo de uma maca a ter que ser forçado a submeter-se a exames médicos.
Os médicos tinham 99% de certeza de que ele tinha mononucleose, mas quando os resultados chegaram, o diagnóstico foi outro: Joshua tinha leucemia.

“Eu não tenho muitas lembranças desses tempos; lembro-me de passar temporadas longas no hospital, de receber quimioterapia, mas não me lembro de me sentir mal ou com dores. Se calhar nem ligava, aquela já era a minha realidade”, relembra o sobrevivente.
Após 3 anos e meio de quimioterapia, Joshua ficou livre do cancro; mas hoje, com 31 anos, o cancro continua a desempenhar um papel na sua vida. O sobrevivente tornou-se oncologista e desde agosto de 2018 que trabalha no Centro Allan Blair, nos Estados Unidos, o mesmo local onde, décadas antes, fez tratamentos.
“Talvez por causa da minha experiência eu sempre soube que queria trabalhar num ambiente ligado ao cancro. Muitas pessoas não acreditam, mas estes são lugares bons para se trabalhar, sente-me uma aura de esperança pelos corredores”, disse o agora médico.
“É um sonho tornado realidade, para ele e para nós”, afirma Cheryl.
Inicialmente com medo de agulhas, eventualmente Joshua aprendeu a ficar imóvel durante as punções lombares.
Durante os tratamentos, o rapaz arranjou um amigo, Lee Baumgartner, cuja mãe, Patti, se tornou uma fonte de amizade e conhecimento para Cheryl pois, tal como Joshua, Lee também tinha leucemia.

Em 1994, 2 anos após o tratamento, os dois amigos foram escolhidos pela instituição Dreams Take Flight, para passarem um dia na Disney World.
Quando o Joshua tinha 8 anos, quase no final dos seus tratamentos, Cheryl lembra-se do seu filho repetir que iria ser médico.
Quando chegou a altura de tirar o seu curso de medicina, o jovem sabia que queria ajudar jovens pacientes com cancro a tratarem-se, mas mudou de ideias quando conheceu a radioterapia.
Durante o curso, o médico co-desenvolveu um par de aplicativos, ferramentas de previsão para ajudar os médicos que trabalham em tipos específicos de cancro. Juntamente com um colega, o radioterapeuta criou a empresa Limbus AI que procura ajudar os médicos a reduzirem o tempo necessário para elaborar o plano de tratamento de radiação do paciente.
O médico fala com entusiasmo do seu trabalho, discutindo a importância da radiação e como ela mudou mesmo na última década.
“(A radiação é) menos conhecida que a quimioterapia, mas desempenha um papel tão importante em termos de alcançar a cura em muitos tipos de cancro”, revela.
Atualmente, Joshua não trabalha diretamente com crianças, mas sente cada vez mais empatia por pais de crianças doentes agora que, também ele, se tornou pai.
“Não quero nem imaginar aquilo pelo que os meus pais passaram, agora que sei o que é o amor de um pai por um filho”, conta o sobrevivente que confidenciou que, quase 27 anos após o seu diagnóstico, a sua mãe ainda não consegue falar sobre a doença do filho sem chorar.