Investigadores da Icahn School of Medicine at Mount Sinai (EUA) e de várias instituições identificaram potenciais novos alvos terapêuticos para o glioma de alto grau, um tumor cerebral agressivo que pode afetar crianças e adolescentes.
O estudo, publicado na revista Cell Reports Medicine, analisou em detalhe as características moleculares destes tumores e concluiu que a sua biologia pode variar de acordo com a idade e o sexo dos doentes. Estas diferenças poderão ser importantes para desenvolver tratamentos mais personalizados no futuro.
Uma análise detalhada dos tumores
A investigação envolveu o Clinical Proteomic Tumor Analysis Consortium (CPTAC), do National Cancer Institute (EUA), e a Children’s Brain Tumor Network, entre outras entidades.
Foram analisadas amostras tumorais de 112 doentes, desde bebés com 83 dias até adultos com 40 anos. Embora o estudo inclua também adultos, permitiu estudar especificamente as características dos gliomas de alto grau durante diferentes fases do desenvolvimento, incluindo a infância e a adolescência.
Os investigadores analisaram o ADN, ARN e proteínas dos tumores, assim como alterações químicas que ocorrem nas proteínas depois de serem produzidas. Estes dados foram posteriormente comparados com informação proveniente de outros grupos de doentes.
Enzima CDK8 destaca-se como possível alvo
A análise identificou várias quinases, enzimas envolvidas na comunicação e funcionamento das células, que poderão constituir potenciais alvos terapêuticos. Entre elas encontram-se CDK8, ATM, ATR e LCK.
Em células tumorais estudadas em laboratório, bloquear estas enzimas através de edição genética ou medicamentos permitiu abrandar o crescimento das células quando a respetiva quinase apresentava maior atividade.
A CDK8 destacou-se particularmente por ser ainda pouco estudada no glioma de alto grau. Os resultados sugerem uma relação entre esta enzima e a forma como as células tumorais produzem energia, tornando-a um possível alvo para investigação de novos tratamentos.
Idade e sexo podem influenciar a biologia do tumor
O estudo encontrou ainda diferenças moleculares relacionadas com a idade e o sexo. Cerca de 27% das proteínas analisadas apresentaram padrões de evolução diferentes entre doentes do sexo masculino e feminino.
Também foram identificadas diferenças na resposta imunitária. Uma maior presença de células T no tumor esteve associada a melhores resultados nas doentes do sexo feminino, mas não nos do sexo masculino. Os investigadores encontraram ainda diferenças relacionadas com a proteína PD-1, já estudada como alvo de imunoterapias.
Apesar dos resultados, os autores salientam que o número de amostras é limitado, sobretudo quando os participantes são divididos por idade, sexo e características tumorais. Os potenciais alvos identificados, incluindo a CDK8, precisam agora de ser validados em novos estudos e em modelos animais antes de poderem ser avaliados clinicamente.
A investigação reforça, assim, a importância de compreender as características específicas dos tumores cerebrais pediátricos e de considerar a fase de desenvolvimento da criança ou adolescente na procura de tratamentos cada vez mais personalizados.
Fonte: Medical Xpress