A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou o relatório Measuring survival, driving change, focado na Iniciativa Global para o Cancro Pediátrico (GICC), sublinhando que a diferença de sobrevivência entre países de alto e baixo rendimento continua a ser uma das maiores desigualdades em saúde.
Todos os anos, estima-se que 400 mil crianças e adolescentes desenvolvam cancro, e 80% vivem em países de baixo e médio rendimento. Nestes contextos, a sobrevivência pode ficar abaixo de 30%, enquanto nos países de alto rendimento ultrapassa 80%.
O problema: falta de diagnóstico e falta de dados
O relatório destaca que o acesso a diagnóstico e tratamento continua a ser desigual e que, em alguns países, até 43%dos casos poderão estar por diagnosticar e tratar. A isto soma-se um problema estrutural: a cobertura de registos populacionais de cancro permanece limitada – em 2001–2010, apenas cerca de 11% das crianças dos 0 aos 14 anos viviam em áreas cobertas por registos de elevada qualidade.
O que muda: novas estimativas globais comparáveis
Para reduzir a falta de informação, a OMS produziu as primeiras estimativas comparáveis entre países de sobrevivência a cinco anos para leucemia linfoide, em crianças e adolescentes, para 194 Estados-Membros(diagnósticos entre 2017 e 2021). O objetivo é apoiar decisões de política pública, monitorização e melhoria dos sistemas de saúde.
A meta: 60% de sobrevivência global até 2030
A iniciativa define uma ambição clara: aumentar a sobrevivência global a cinco anos para pelo menos 60% até 2030, reduzindo sofrimento e procurando evitar um milhão de mortes. A estratégia operacional é o CureAll, um quadro de implementação para reforçar diagnóstico precoce, tratamento, cuidados de suporte e sistemas de dados.
Medicamentos: uma plataforma global para acelerar o acesso
O relatório sublinha ainda o papel da Global Platform for Access to Childhood Cancer Medicines, uma parceria entre OMS e St. Jude Children’s Research Hospital, em colaboração com UNICEF e a OPAS/PAHO, que começou a enviar os primeiros lotes de medicamentos essenciais para países-piloto em fevereiro de 2025, com o objetivo de apoiar o acesso a terapêuticas de qualidade para cerca de 120 mil crianças com cancro em países de baixo e médio rendimento.
Fonte: WHO