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Nova plataforma mostra desigualdades chocantes na sobrevivência ao cancro pediátrico

Em 2022, mais de 200 mil crianças com menos de 15 anos foram diagnosticadas com cancro em todo o mundo e cerca de 75 mil morreram da doença, segundo o Global Cancer Observatory (IARC/WHO)

Apesar de as taxas de cancro serem mais elevadas na América do Norte e na Europa, quase 94% das mortes acontecem em África, na Ásia, na América do Sul e nas Caraíbas. Nestas regiões, as crianças têm quase o dobro da probabilidade de morrer de cancro quando comparadas com as da Europa e da América do Norte.

O que foi lançado

Para assinalar o Dia Internacional do Cancro Pediátrico, a International Agency for Research on Cancer (IARC, França) anunciou, a 13 de fevereiro de 2026, em Lyon, o lançamento de um novo espaço dedicado à sobrevivência no cancro pediátrico: SURVCAN, uma plataforma de visualização de dados.

Segundo a IARC, a plataforma reúne dados de 47 registos de cancro em 23 países e inclui um dos conjuntos mais completos de informação populacional de alta qualidade provenientes de África, Ásia e América Latina/Caraíbas.

O que os dados analisaram

O projeto avaliou a sobrevivência de quase 17 mil crianças (0–14 anos) em um, três e cinco anos após o diagnóstico, com base em casos diagnosticados entre 2008 e 2017, em 13 grandes tipos/localizações de cancro.

Principais conclusões

1) A sobrevivência depende muito do país onde a criança nasce

Em países de alto rendimento, mais de 80% das crianças com cancro sobrevivem pelo menos cinco anos após o diagnóstico. Em alguns países de baixo e médio rendimento analisados, a sobrevivência aos cinco anos pode ser tão baixa como 37%.

2) Diferenças grandes entre regiões

A sobrevivência é descrita como mais baixa na África subsaariana e mais alta nas Caraíbas e na América Central, aumentando à medida que crescem o rendimento nacional e o Índice de Desenvolvimento Humano.

3) Leucemias com disparidades muito marcadas

As leucemias representam perto de um terço dos casos de cancro pediátrico. A sobrevivência aos três anos varia de menos de 40% na África subsaariana para quase 90% nas Caraíbas e na América Central. Há resultados particularmente desfavoráveis para a leucemia mieloide aguda em países de baixo rendimento.

4) Diferenças relevantes dentro da mesma região

Na América Central e do Sul, os dados mostram variações grandes na sobrevivência aos três anos para leucemia pediátrica: 89% em Porto Rico, mais de 85% na Costa Rica e cerca de 50% no Equador.

5) Variações por tipo de cancro

Os resultados variam muito consoante o tipo de cancro. Tumores cerebrais apresentam, em vários países, valores frequentemente abaixo de 60%, com exemplos que vão de 38% na Colômbia a 80% em Porto Rico. Em contraste, alguns cancros do olho (retinoblastoma), tumores do rim e cancros da pele mostram boas probabilidades de sobrevivência em muitos contextos. Também se destacam diferenças muito grandes em cancros do sangue e leucemias, associadas ao acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

Porque é importante para crianças e famílias

A mensagem central é dupla:

  • A cura é possível para mais de 80% das crianças com cancro quando existem serviços completos e acessíveis(diagnóstico atempado, tratamento adequado e seguimento).
  • Em muitos países, continuam a existir barreiras graves, como diagnóstico tardio, acesso limitado a tratamento, interrupções de cuidados, mortes relacionadas com o tratamento e recidiva, o que contribui para sobrevivências mais baixas.

Nota sobre o projeto e o que vem a seguir

A base de dados SURVCAN, segundo a IARC, desenvolve-se no âmbito do projeto Cancer Survival in Countries in Transition (SURVCAN) e está alinhada com esforços globais como a World Health Organization (WHO) e parcerias internacionais, incluindo o St. Jude Children’s Research Hospital (EUA) (St. Jude), com o objetivo de reforçar registos oncológicos e, a partir daí, apoiar melhorias no diagnóstico e no tratamento — sobretudo em países de baixo e médio rendimento.

Fonte: OMS

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