Quando uma doença volta a manifestar-se depois de um período de melhoria, é frequente encontrarmos palavras como recaída, recidiva ou recorrência. Embora sejam muitas vezes utilizadas como sinónimos, não significam exatamente a mesma coisa. Compreender estas diferenças pode ajudar as famílias a interpretar melhor a informação médica, nomeadamente no contexto do cancro pediátrico.
A distinção começa na própria forma como a doença evoluiu. Cura, remissão e recuperação também descrevem situações diferentes.
A cura corresponde à eliminação do processo que provocou a doença, com recuperação da função do organismo. Já a remissão significa que os sinais e sintomas diminuíram ou desapareceram, embora possa permanecer a possibilidade de a doença voltar a manifestar-se. A remissão pode ser parcial ou completa e é um conceito particularmente importante em oncologia.
A recuperação, por sua vez, refere-se sobretudo ao regresso de determinada função ou capacidade. Uma pessoa pode recuperar uma função sem que todas as alterações provocadas pela doença tenham desaparecido.
E quando a doença volta?
A recidiva corresponde ao regresso da mesma doença depois de um período de remissão completa. Existe uma continuidade com a doença anterior: o processo que estava sem manifestações volta a tornar-se ativo.
A recaída tende a descrever um regresso mais precoce dos sinais ou sintomas, durante o tratamento ou pouco tempo depois de este terminar, antes de existir um período significativo sem doença. Neste caso, a melhoria alcançada não chegou a consolidar-se.
Já a recorrência refere-se ao aparecimento de um novo episódio da mesma doença depois de um período bem definido de recuperação, podendo não resultar exatamente do mesmo processo que provocou o episódio anterior.
Existe ainda o termo reincidência, mas é menos específico em medicina. A palavra tem origem no contexto jurídico e é utilizada sobretudo em situações associadas à repetição de determinados comportamentos.
Porque é importante distinguir estes conceitos?
No cancro pediátrico, perceber a diferença entre cura, remissão e regresso da doença é particularmente importante. Dizer que uma criança está em remissão, por exemplo, não significa necessariamente o mesmo que dizer que está curada.
Da mesma forma, identificar corretamente a forma como uma doença regressou ajuda a descrevê-la com maior precisão e pode ter implicações na avaliação do prognóstico, no acompanhamento e nas decisões relativas ao tratamento.
Mais do que uma questão de linguagem, utilizar os termos adequados permite que profissionais de saúde, crianças e famílias partilhem uma compreensão mais clara sobre aquilo que aconteceu, sobre a fase em que a doença se encontra e sobre o acompanhamento que poderá ser necessário.
Fonte: Medscape