Um novo relatório publicado na revista científica The Lancet Oncology conclui que investir no diagnóstico e tratamento do cancro pediátrico poderá evitar 6,2 milhões de mortes em todo o mundo entre 2020 e 2050, além de gerar benefícios económicos significativos.
Os investigadores estimam que, durante este período, 13,7 milhões de crianças serão diagnosticadas com cancro. Se não forem feitos novos investimentos nos sistemas de saúde, cerca de 6,1 milhões destas crianças nem sequer chegarão a ser diagnosticadas e 11,1 milhões morrerão devido à doença. Mais de 84% destas mortes deverão ocorrer em países de baixo e médio rendimento.
O relatório destaca que cerca de 80% dos casos de cancro pediátrico podem ser tratados com sucesso utilizando as terapêuticas atualmente disponíveis. No entanto, em muitos países, o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e aos cuidados de saúde continua a ser insuficiente.
Segundo os autores, a expansão do acesso a intervenções eficazes poderá reduzir em mais de metade o número de mortes previstas, permitindo ganhar cerca de 318 milhões de anos de vida.
A análise demonstra ainda que o investimento necessário para melhorar os cuidados de saúde teria também um forte impacto económico. Os investigadores estimam que os ganhos de produtividade ao longo da vida poderão atingir 2 580 mil milhões de dólares, um valor cerca de quatro vezes superior ao custo estimado dos tratamentos (594 mil milhões de dólares). No total, cada dólar investido poderá gerar um retorno líquido de cerca de três dólares.
Os autores defendem que o cancro pediátrico deve ser considerado uma prioridade nos sistemas de saúde, especialmente nos países que estão a expandir a cobertura universal, para que mais crianças tenham acesso atempado ao diagnóstico e ao tratamento.
Fonte: The Lancet