Uma equipa do Princess Máxima Center for Pediatric Oncology (Países Baixos), em colaboração com o Institut Curie (França), está a desenvolver um teste rápido que poderá ajudar a identificar, em apenas 14 dias, quais os medicamentos com maior probabilidade de serem eficazes em crianças com cancro pediátrico cujo tratamento habitual deixou de resultar.
Atualmente, os modelos utilizados para testar medicamentos em células tumorais podem demorar entre oito e 12 meses, um prazo demasiado longo para crianças que necessitam de iniciar rapidamente uma nova terapêutica.
Neste novo método, os investigadores utilizam células vivas do tumor para testar, em simultâneo, 134 ou 224 medicamentos, permitindo identificar quais poderão ser mais eficazes para cada criança.
O teste foi avaliado em 69 análises realizadas em nove tipos diferentes de tumores sólidos pediátricos, utilizando amostras de crianças acompanhadas em quatro centros europeus. A abordagem revelou-se viável e fiável.
Em muitos casos, o teste conseguiu identificar pelo menos um medicamento potencialmente eficaz. Também permitiu excluir tratamentos com baixa probabilidade de sucesso, evitando que as crianças sejam expostas a terapêuticas desnecessárias e aos respetivos efeitos secundários.
Os investigadores sublinham que o teste continua em desenvolvimento. O próximo passo será confirmar que a resposta observada nas células tumorais em laboratório corresponde à resposta que o medicamento terá na criança. Este trabalho está a ser realizado em colaboração com o Hopp Children’s Cancer Center Heidelberg (KiTZ) (Alemanha) e o Institut Curie (França).
Se os resultados forem confirmados, esta abordagem poderá representar um avanço importante na personalização dos tratamentos para crianças com cancro pediátrico, permitindo selecionar mais rapidamente as terapêuticas com maior probabilidade de sucesso e reduzir tratamentos ineficazes.
Fonte: Princess Máxima Center