Uma equipa de investigadores da University of Birmingham (Reino Unido) identificou um novo biomarcador que poderá ajudar a prever quais as crianças com cancro pediátrico que têm maior probabilidade de beneficiar de uma determinada combinação de tratamentos.
Os resultados foram publicados na revista Clinical Cancer Research.
O estudo integrou o ensaio clínico eSMART e envolveu 70 crianças e jovens, das quais 66 receberam tratamento em centros do Reino Unido, França, Países Baixos e Espanha. Os participantes tinham tumores sólidos, incluindo sarcoma de Ewing, osteossarcoma, neuroblastoma, rabdomiossarcoma, nefroblastoma, meduloblastoma e carcinoma do plexo coroide.
Um possível novo biomarcador
O objetivo da investigação foi avaliar a segurança e a eficácia da combinação de irinotecano, um medicamento de quimioterapia frequentemente utilizado em oncologia pediátrica, com um inibidor de PARP, um fármaco que bloqueia mecanismos de reparação do ADN já utilizado em alguns cancros do adulto.
Dos doentes tratados, 12 apresentaram benefício clínico, através da redução parcial ou completa do tumor ou da estabilização da doença durante mais de seis meses.
Os investigadores verificaram que as alterações genéticas inicialmente consideradas como possíveis preditoras da resposta ao tratamento não permitiam identificar quais os doentes que beneficiariam da terapêutica.
Em contrapartida, uma característica do genoma tumoral denominada aneuploidia revelou-se um indicador promissor. As crianças cujos tumores apresentavam um índice elevado de aneuploidia tiveram maior probabilidade de responder ao tratamento.
Rumo a tratamentos mais personalizados
Segundo os investigadores, esta é a primeira vez que o índice de aneuploidia é associado à resposta a um tratamento num ensaio clínico de cancro pediátrico.
Embora este marcador não esteja relacionado com um tipo específico de tumor, os resultados sugerem que poderá ajudar a identificar crianças que beneficiam de terapias baseadas em inibidores de PARP, independentemente do diagnóstico.
A equipa considera que serão necessários novos estudos para confirmar estes resultados e perceber se este biomarcador poderá também ser útil noutros ensaios clínicos com medicamentos dirigidos à reparação do ADN, tanto em crianças como em adultos.
Fonte: Medical Xpress