Uma nova orientação dirigida a médicos de medicina geral e familiar pretende reduzir atrasos no diagnóstico de cancro pediátrico, com foco nos tumores abdominais em menores de 18 anos. A iniciativa surge no âmbito da campanha Child Cancer Smart, liderada pela CCLG: The Children & Young People’s Cancer Association, e inclui guias de referenciação, ferramentas de apoio à decisão para profissionais de saúde e listas de sintomas para famílias.
A orientação baseia-se em investigação liderada por Shaarna Shanmugavadivel, investigadora associada à campanha, e foi financiada pelo National Institute for Health and Care Research (NIHR), através de uma bolsa de investigação doutoral.
Porque é importante
Segundo a investigadora, cerca de 15% das crianças com cancro terão um tumor abdominal – tumores “na barriga”, como neuroblastoma ou cancros do rim e do fígado. Estes tumores podem ser difíceis de detetar porque os sintomas se confundem com doenças comuns da infância.
À medida que o tumor cresce, pode provocar sintomas por pressão sobre estruturas próximas, como nervos e órgãos. Identificar cedo é decisivo, porque um diagnóstico mais tardio aumenta o risco de doença em estádio avançado, com possível disseminação, o que pode significar tratamentos mais intensivos e, em alguns casos, menor probabilidade de sobrevivência.
A notícia refere ainda que tumores do rim e neuroblastomas têm sido diagnosticados no Reino Unido com maior dimensão ou em fases mais avançadas do que noutros países europeus, algo associado a atrasos no diagnóstico. No caso dos tumores do rim, há investigação que indica que o tamanho do tumor no diagnóstico não melhorou desde que o problema foi identificado no início dos anos 2000.
Apoio político e foco na deteção precoce
A orientação foi bem recebida pelo Governo do Reino Unido e usada como estudo de caso no recente National Cancer Plan. Sharon Hodgson, Ministra da Saúde Pública, sublinhou que a deteção precoce é essencial para atingir a meta do plano: três em quatro pessoas diagnosticadas com cancro em 2035 estarem curadas ou a viver bem ao fim de cincoanos.
Ferramentas também para famílias
Para apoiar pais e cuidadores, a campanha desenvolveu listas de sintomas de tumores abdominais, com o objetivo de ajudar a reconhecer sinais de alerta e a procurar cuidados mais cedo.
A notícia inclui dois testemunhos que ilustram como o tempo pode fazer diferença:
- Lucie, diagnosticada com tumor de Wilms aos cinco anos, após várias idas a uma urgência em Edimburgo por dor abdominal intensa e febre, em outubro de 2021. A mãe, Leonie, insiste que algo não estava bem e a criança faz uma ecografia poucos dias depois, iniciando rapidamente o percurso de tratamento.
- Harris, diagnosticado com um cancro agressivo do fígado (hepatoblastoma) aos nove meses, em julho de 2022. A mãe, Natalie, procurou cuidados por suspeita de infeção e algum inchaço abdominal; os médicos reconheceram sinais de cancro de imediato. O tumor já tinha disseminado para os pulmões, exigindo um protocolo de alto risco. A quimioterapia iniciada rapidamente foi decisiva para permitir que a criança pudesse avançar para transplante hepático quando a doença pulmonar ficou controlada.
Fonte: University of Nottingham