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Estudo identifica “escudos” e “guarda-costas” que protegem o neuroblastoma — e aponta novo alvo terapêutico

Uma equipa da University of Queensland (Austrália) criou um mapa detalhado do neuroblastoma, um cancro pediátrico que surge tipicamente em crianças com menos de cinco anos. O trabalho mostra que, nos casos de alto risco, o tumor usa um “escudo” metabólico para se proteger e conta ainda com células imunitárias à volta do tumor que funcionam como “guarda-costas”.

O estudo, publicado na Genome Medicine, analisou amostras tumorais de 27 doentes pediátricos com recurso a tecnologia espacial avançada, capaz de criar mapas bidimensionais de alta resolução e mostrar onde estão as células e moléculas dentro do tecido.

Um “mapa por satélite” do tumor

A equipa usou ferramentas que permitem observar o tumor como se fosse um “mapa por satélite”: quais as células cancerígenas e imunitárias presentes e como se posicionam umas em relação às outras. Esta abordagem ajudou a perceber melhor como o tumor cria um ambiente protetor.

A vulnerabilidade encontrada: ferroptose e o papel de GPX4

O estudo aponta uma defesa importante dos tumores de alto risco contra um processo natural de morte celular chamado ferroptose, que pode ocorrer quando há acumulação de gorduras tóxicas dentro das células.

Os investigadores observaram que uma proteína chamada GPX4 funciona como um “escudo”, protegendo as células do neuroblastoma e impedindo que morram por ferroptose. Em laboratório, quando a atividade de GPX4 foi desligada, as células de neuroblastoma morreram, sugerindo que esta proteína pode ser um alvo terapêutico promissor.

O que isto pode significar para tratamentos

O estudo refere que já existem fármacos em avaliação em adultos que atuam neste tipo de mecanismo, removendo o “escudo” identificado. A equipa sugere que, no futuro, estes medicamentos poderão vir a ser estudados para utilização em crianças com neuroblastoma de alto risco, com potencial para avançar para ensaios clínicos.

Um cancro com impacto pesado

O neuroblastoma é descrito como um dos cancros mais perigosos em crianças pequenas e representa cerca de 10% das mortes por cancro pediátrico. Apesar de décadas de tratamentos intensivos, os resultados nos casos mais agressivos continuam baixos — e é por isso que a identificação de vulnerabilidades específicas é vista como uma nova via para melhorar terapias.

Instituições referidas no texto-base:

Fonte: Medical Xpress

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