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Atlas da medula óssea em crianças ajuda a melhorar a investigação em leucemia pediátrica

Como são, afinal, as células da medula óssea “saudável” em crianças? Pela primeira vez, uma equipa do Princess Máxima Center for Pediatric Oncology (Países Baixos) mapeou esta informação e criou um atlas que poderá ajudar a tornar a investigação em leucemia no cancro pediátrico mais precisa.

O que é a medula óssea e porque importa?

A medula óssea encontra-se no interior dos ossos e é responsável por produzir as células do sangue, como glóbulos vermelhos e glóbulos brancos. Na leucemia e noutras doenças do sangue, este processo deixa de funcionar corretamente e surgem células doentes em vez de células saudáveis.

Para perceber “o que corre mal” e melhorar os tratamentos, os investigadores comparam amostras de medula óssea de pessoas doentes com amostras de medula óssea saudável. Até agora, faltava um ponto de referência sólido para crianças, e muitos estudos recorriam a dados de adultos.

O que descobriram?

A equipa mostrou que a medula óssea em crianças não é igual à de adultos: tem tipos de células e proporções diferentes, e muda com a idade.

O atlas foi construído com cerca de 91 mil células individuais de medula óssea, recolhidas a partir de nove dadores com idades entre dois e 32 anos, permitindo observar diferentes fases do desenvolvimento. Mais de 20 mil células analisadas eram células estaminais e progenitoras do sangue e células do “tecido de suporte” da medula.

Para cada célula, os investigadores registaram:

  • o perfil de ARN mensageiro (que indica que genes estão ativos)
  • a expressão de proteínas à superfície
  • e a organização do tecido (“arquitetura”) com técnicas que analisam as células no seu local na medula

Mudanças ao longo da idade

Os dados sugerem alterações claras com a idade na formação das células do sangue:

  • Antes dos 10 anos, a medula óssea está mais orientada para produzir células B (importantes para o sistema imunitário).
  • Em adolescentes e adultos jovens, a produção tende a favorecer mais células mieloides e células T.

Também o “ambiente” da medula (o conjunto de células e sinais que apoia a formação do sangue) vai mudando com o crescimento.

Porque é que este atlas pode fazer diferença?

Segundo os autores, estas diferenças por idade são essenciais: comparar medula óssea de crianças doentes com dados de adultos pode levar a interpretações erradas. O atlas facilita comparações entre crianças da mesma faixa etária, ajudando a distinguir alterações associadas ao cancro pediátrico de mudanças normais do desenvolvimento.

Fonte: Medical Xpress

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