A investigadora Nina Schmolka, do Centro de Investigação Biomédica da Universidade Católica Portuguesa (Portugal), recebeu uma bolsa da Organização Europeia de Biologia Molecular para estudar as origens das leucemias pediátricas mais precoces. O financiamento prevê 50 mil euros anuais durante cinco anos e permitirá a criação de um novo laboratório dedicado a esta área de investigação.
O objetivo principal do projeto é compreender como se desenvolvem as células sanguíneas ainda durante a fase embrionária e de que forma alterações nesse processo podem levar ao aparecimento de leucemias em idades muito precoces.
Leucemias que podem começar antes do nascimento
Segundo a investigadora, estudos recentes indicam que muitas leucemias diagnosticadas em bebés e crianças muito pequenas têm origem ainda durante a gravidez. Essas formas precoces da doença estão associadas a alterações genéticas que transformam células sanguíneas normais em células cancerígenas.
A investigação centra‑se, por isso, nos mecanismos moleculares que controlam o desenvolvimento inicial do sangue. Ao identificar falhas nesses processos, será possível descobrir novas vias biológicas que, no futuro, poderão tornar‑se alvos terapêuticos.
Do desenvolvimento embrionário às novas terapias
Enquanto a formação do sangue em adultos ocorre na medula óssea e é hoje bem conhecida, o desenvolvimento embrionário segue um percurso diferente. Inicia‑se no saco vitelino e acontece numa fase em que ainda não existem as células estaminais sanguíneas clássicas.
Compreender estas diferenças é essencial para perceber como surgem determinadas leucemias pediátricas e como podem ser prevenidas ou tratadas de forma mais eficaz.
Impacto no futuro dos transplantes
A investigação pretende também identificar vias que permitam melhorar a produção “in vitro” de células estaminais hematopoiéticas — células capazes de originar todos os tipos de células do sangue e fundamentais na regeneração do sistema sanguíneo e imunológico.
Atualmente, muitos doentes dependem de transplantes de medula óssea de dadores compatíveis. No futuro, a produção destas células em laboratório poderá ajudar a ultrapassar a escassez de dadores e reduzir problemas de compatibilidade.
A bolsa é atribuída pela Organização Europeia de Biologia Molecular e cofinanciada em Portugal pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, permitindo reforçar a investigação em cancro pediátrico e aproximar novas estratégias terapêuticas da prática clínica.
Fonte: SIC Notícias