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Novas orientações europeias querem melhorar a transição de cuidados em sobreviventes de cancro pediátrico

Crianças e adolescentes que superam o cancro pediátrico enfrentam, muitas vezes, riscos elevados de complicações de saúde a longo prazo, podendo ver a sua qualidade de vida e participação social comprometidas na vida adulta. Um dos maiores desafios é a transição entre os cuidados prestados em unidades pediátricas e os serviços de saúde para adultos — um momento crucial que nem sempre decorre de forma adequada.

Para responder a este desafio, o projeto EU–CAYAS–NET, apoiado pela União Europeia, desenvolveu um novo guia clínico com 44 recomendações práticas para garantir transições mais seguras e eficazes nos cuidados prestados a jovens que viveram com cancro pediátrico.

O objetivo é assegurar o acompanhamento contínuo dos efeitos tardios dos tratamentos — como problemas cardíacos, hormonais, respiratórios ou psicológicos — que podem surgir muitos anos após o fim da terapêutica. As novas orientações foram desenvolvidas com base em evidência científica e na participação ativa de representantes de doentes, familiares e profissionais de saúde de várias áreas, incluindo oncologia pediátrica e de adultos, enfermagem, psicologia, reabilitação e epidemiologia.

A equipa analisou 86 estudos publicados entre 1990 e 2025, incluindo dados de países como Austrália, EUA, Canadá, Japão, e vários países da Europa. Foram também consideradas diretrizes já existentes para outras doenças crónicas como a diabetes e a asma, permitindo adaptar boas práticas à realidade do cancro pediátrico.

Entre as recomendações, destaca-se a importância de:

  • Planear atempadamente a transição dos cuidados pediátricos para adultos;
  • Promover a autonomia dos jovens no seguimento do seu estado de saúde;
  • Garantir a comunicação entre as equipas de saúde pediátricas e de adultos;
  • Incluir as preferências e necessidades individuais de cada jovem no processo de transição.

Este novo guia pretende garantir que nenhum sobrevivente de cancro pediátrico perde acesso a cuidados essenciais só porque deixou de estar num serviço pediátrico.

O documento completo com todas as recomendações foi publicado na revista The Lancet Oncology. A sua implementação poderá fazer uma diferença real na vida de milhares de jovens em toda a Europa que precisam de cuidados contínuos, personalizados e adequados às suas necessidades ao longo da vida.

Fonte: Science Direct

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