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Descoberta de células imunitárias pode abrir caminho a novas terapias no cancro pediátrico do fígado

Um estudo recente revelou que os tumores do fígado em crianças contêm um tipo de células imunitárias até agora pouco valorizado: as células mieloides. A investigação foi conduzida pelo Princess Máxima Center e pelo UMC Utrecht (Países Baixos), e os resultados foram publicados na revista Cancer Immunology, Immunotherapy. Esta descoberta poderá ajudar a desenvolver novas formas de imunoterapia adaptadas ao cancro pediátrico do fígado.

O hepatoblastoma é o tipo mais comum de cancro do fígado na infância. Surge quando células do fígado imaturas ficam “presas” numa fase inicial do seu desenvolvimento e começam a multiplicar-se de forma descontrolada. O tratamento costuma incluir quimioterapia e cirurgia, sendo por vezes necessário recorrer a transplante hepático.

Tão poucos linfócitos T, mas uma nova pista promissora

Até agora, pouco se sabia sobre a presença de células do sistema imunitário nos tumores de fígado pediátricos. Este conhecimento é essencial porque pode indicar se há potencial para o uso de imunoterapia — um tipo de tratamento que estimula o sistema imunitário a combater o tumor.

Através de técnicas inovadoras como a “spatial omics”, os investigadores estudaram biópsias de crianças tratadas no Princess Máxima Center e concluíram que estes tumores têm muito poucos linfócitos T — as células que mais frequentemente são ativadas por imunoterapias usadas em adultos.

Em vez disso, descobriram um número significativo de células mieloides, outro tipo de células imunitárias que também podem ser ativadas para atacar células doentes. Esta descoberta pode abrir caminho ao desenvolvimento de novos tratamentos dirigidos especificamente a estas células.

Possível terapia combinada

Outro resultado promissor foi a observação de que a quimioterapia parece aumentar o número de células mieloides nos tumores. Isso levanta a possibilidade de uma abordagem combinada: primeiro, usar quimioterapia para atrair mais células imunitárias para o tumor e, depois, ativar essas células com imunoterapia.

“Estamos apenas no início”, afirmam os investigadores, que sublinham que ainda é necessário muito trabalho até se conseguir transformar esta descoberta numa terapia concreta. Mas estudos semelhantes em adultos já estão em curso, o que pode acelerar o avanço nesta área também para as crianças.

Uma colaboração com impacto

O trabalho conjunto entre o UMC Utrecht e o Princess Máxima Center está a ajudar a mapear o perfil imunitário dos tumores pediátricos, ligando diferentes especialidades de investigação. O projeto recebeu apoio de várias entidades, incluindo a fundação KiKa e a Fundação Princess Máxima Center, através da iniciativa Kus van Kiki.

Fonte: Princess Máxima Center

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