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Cientistas analisam fertilidade em sobreviventes masculinos de cancro infantil

Todos os anos, perto de 400 mil jovens com idades entre os 0 e os 19 anos são diagnosticados com cancro em todo o mundo.

Felizmente, hoje em dia, mais de 80% destes jovens ficam curados; contudo, os tratamentos oncológicos podem ter um grande impacto na saúde dos sobreviventes ao longo da vida, principalmente em questões relacionadas com a fertilidade.

Investigações realizadas nos Estados Unidos mostram que os sobreviventes do sexo masculino têm 44% menos probabilidade de ter um filho em comparação com os seus irmãos que não foram sujeitos a tratamentos oncológicos – por outro lado, a probabilidade em sobreviventes do sexo feminino é “apenas” 19% menor.

Sarah Hunter, investigadora no Blood and Cancer Centre, na Austrália, explica que, no caso dos rapazes que já passaram pela puberdade, é possível armazenar esperma para uso futuro antes dos tratamentos.

No entanto, “a preservação da fertilidade não é possível para jovens que ainda não passaram pela puberdade. No caso das raparigas, por exemplo, ainda que elas já nasçam com os óvulos, antes da puberdade esses óvulos não amadureceram e não podem ser armazenados”.

Os tratamentos oncológicos podem danificar esses óvulos e tornar as sobreviventes incapazes de engravidar. Estes tratamentos também podem danificar o esperma e a produção do mesmo.

Contudo, um estudo realizado pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, pode ter encontrado uma maneira de ajudar a combater a infertilidade masculina.

Os cientistas extraíram tecido funcional dos testículos de ratos, que foi congelado durante 23 anos. Passado esse tempo, o tecido foi implantado num rato infértil que começou a produzir espermatozoides funcionais.

Embora tenha havido redução nos níveis de fertilidade, os cientistas acreditam que estas descobertas podem representar um avanço significativo no tratamento da infertilidade, especialmente para algumas crianças com cancro, onde o tecido saudável pode ser extraído antes destas serem sujeitas aos tratamentos.

“O armazenamento e conservação de tecido testicular para uso próprio da criança na idade adulta é um processo que oferece garantias de fertilidade mais tarde na vida”, disseram os cientistas.

Esta investigação faz parte de uma extensa pesquisa internacional sobre a preservação da fertilidade para sobreviventes de cancro infantil – até agora, foi já armazenado o tecido testicular de cerca de mil jovens, mas ainda não existem relatos de gravidezes humanas ou de bebés que resultaram do uso do tecido armazenado.

Fonte: 1 News

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