Uma equipa de investigadores brasileiros identificou um gene associado a um tipo de tumor cerebral que afeta principalmente crianças, o meduloblastoma. A descoberta pode ajudar a melhorar os tratamentos e medicamentos de combate à patologia.
A investigação foi publicada na revista NeuroMolecular Medicine e realizada por investigadores do Instituto do Cancro Infantil, do Laboratório de Cancro e Neurobiologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, todas as instituições localizadas no Brasil.
Entre os tipos de cancro pediátrico, o meduloblastoma é um dos mais frequentes e também dos mais fatais. Existem quatro tipos deste tumor, que atinge o cerebelo, no sistema nervoso central. Esta estrutura é regulada por um gene denominado ZEB1, que define a expressão de outros genes associados à regulação epigenética.
Durante o estudo, os cientistas analisaram 850 tumores extraídos de pacientes, além de amostras de cerebelos saudáveis e células de meduloblastoma cultivadas em laboratório, com o objetivo de descobrir se efetivamente a presença do ZEB1 é aumentada de forma anormal no cerebelo afetado por este tipo de tumor, em comparação com o cerebelo normal. O gene também tem uma maior expressão nos casos mais graves de meduloblastoma.
Especificamente em casos mais agressivos da doença, que necessitam de tratamento mais intenso, um aumento maior do gene ZEB1 está associado de forma significativa a uma redução na expetativa de vida dos pacientes com meduloblastoma. Já em casos menos graves, os cientistas observaram o contrário: uma maior presença de ZEB1 está associada a uma maior probabilidade de sobrevivência a longo prazo.
O estudo mostrou, pela primeira vez, que o ZEB1 poderá ser um biomarcador que pode ajudar a diagnosticar e tratar melhor a doença. Os cientistas cultivaram também células cancerígenas de dois tipos de meduloblastoma e trataram-nas com um medicamento que regula a função do sistema imune e mecanismos epigenéticos e é usado no tratamento da esclerose múltipla. Em laboratório, o medicamento apresentou atividade antitumoral contra células de meduloblastoma.
Os resultados obtidos podem indicar que é possível reduzir, com este medicamento, o conteúdo anormal de ZEB1 em meduloblastoma de tipos mais graves, sugerindo uma possível nova estratégia de tratamento que ainda precisa de ser explorada em novos estudos, afirmaram os autores da investigação.
Fonte: UOL