Nos Estados Unidos, a falta de um medicamento usado para tratar o cancro infantil está a criar uma situação descrita pelos médicos como um “verdadeiro pesadelo”.
O fármaco, intitulado Vincristine, usado no tratamento de cancros infantis, como a leucemia e o linfoma, está a tornar-se cada vez mais escasso depois de um, dos dois fabricantes que o produz, ter parado de o fabricar em julho.
O regulador de saúde norte-americano (FDA), já veio anunciar que os suprimentos seriam totalmente recuperados em janeiro de 2020, mas o seu fabrico está em atraso e os médicos enfrentam difícil decisão de racionar o medicamento para seus pacientes; infelizmente, não existe uma alternativa ao Vincristine.
“Estamos a enfrentar um verdadeiro pesadelo”, disse ao New York Times o Yoram Unguru, oncologista pediátrico do Hospital Infantil Herman e Walter Samuelson.
“O Vincristine é tão essencial para nós como a água”.
Quase 16 mil crianças são diagnosticadas com cancro nos Estados Unidos, todos os anos, de acordo com a American Childhood Cancer Organization.
“Todos contamos com este medicamento. Nós confiamos nele, os nossos pacientes confiam nele. É um fármaco muito importante para as crianças com cancro”, disse Michael Isakoff, do Centro Médico Infantil do Connecticut¸ à NBC.
No início deste ano, a Teva, um dos dois fabricantes do medicamento, tomou a “decisão comercial” de descontinuar a produção do fármaco, deixando a Pfizer como o único fornecedor de Vincristine nos Estados Unidos. O problema é que, de acordo com a FDA, problemas de fabricação levaram a um atraso por parte da Pfizer.
A farmacêutica disse, na semana passada, que iria acelerar o envio do fármaco nas próximas semanas e aumentaria para o quádruplo a sua produção.
O presidente do Children’s Oncology Group, Peter Adamson, diz-se “furioso e muito preocupado” com esta escassez.
“Esta situação é inaceitável. Estamos a falhar com estas crianças. E ninguém faz nada”.
Fonte: New York Times