O hepatoblastoma é principal forma de cancro do fígado que afeta bebés e crianças pequenas, sendo a maioria dos pacientes diagnosticados antes completarem 3 anos.
Embora os avanços na cirurgia e na quimioterapia tenham levado a um prognóstico cada vez mais favorável, as formas agressivas da doença deixam alguns pacientes jovens com poucas opções de tratamento e baixas taxas de sobrevivência a longo prazo.
Num estudo publicado na revista Nature Communications, investigadores da Universidade de Osaka, no Japão, analisaram pesquisas anteriores para tentarem identificar um gene que poderia ser a chave para o desenvolvimento de uma terapia direcionada para o hepatoblastoma.
Já em 1999, os cientistas perceberam que um grande número de pacientes com hepatoblastoma – até 90% em alguns casos – carregava mutações num gene chamado β-catenina.
Como parte da via de sinalização Wnt / β-catenina, a proteína β-catenina ativa os genes necessários para o crescimento e diferenciação celular; contudo, a acumulação de β-catenina pode resultar na formação de tumores. Mutações nos componentes de sinalização Wnt / β-catenina frequentemente levam à acumulação de β-catenina e são comuns em várias formas de cancro.
“Decidimos rastrear os genes não caraterizados nas células tumorais do fígado para tentar identificar novos genes com um papel no desenvolvimento do hepatoblastoma”, explica o principal autor do estudo, Shinji Matsumoto.
“Um dos genes mais abundantemente expressos foi a regulação do crescimento por estrogénio no cancro de mama 1 (GREB1), um gene responsivo ao estrogénio que está implicado no crescimento de células de cancro da mama”.
Depois de uma análise mais aprofundada, os investigadores tiveram a certeza de que o GREB1 seria uma parte importante no desenvolvimento do hepatoblastoma.
“Em experiências em animais, observámos que a super-expressão de β-catenina resultou na formação de tumores e num aumento da expressão de GREB1. Quando suprimimos a produção de GREB1, vimos uma diminuição na proliferação celular do hepatoblastoma e, portanto, menos tumores nos animais”, explicaram os cientistas.
Como o GREB1 é ativo no núcleo, os investigadores tentaram impedir a formação de tumores usando oligonucleótidos modificados com ácido nucleico; estas pequenas moléculas de ADN interferem especificamente na produção de proteínas alvo por ligação ao mRNA.
Os oligonucleótidos direcionados a GREB1 diminuíram com sucesso a produção de GREB1 e suprimiram a formação de tumores de hepatoblastoma.
Tendo em conta os resultados, os investigadores esperam agora poder, com recurso a ensaios clínicos, desencolver uma terapia direcionada ao GREB1 que possa tratar especificamente o hepatoblastoma.
Fonte: Medical Xpress