Aos 22 anos, a vida de Melissa Blitgen ficou suspensa: a jovem recebeu um diagnóstico de cancro no sangue.
Ser adulta num hospital normal significava que ela receberia o tratamento padrão para adultos, mas depois de um mês, o seu médico percebeu que o tratamento que a jovem estava a receber talvez não fosse o melhor.
“O meu oncologista tinha ido a uma conferência médica e foi lá que decidiu que queria mudar os planos do meu tratamento. Isto porque ele ficou perplexo com os dados de um estudo que afirmavam que, para o meu tipo de leucemia, os protocolos pediátricos tinham melhores resultados”, conta a jovem.
Melissa comemora este ano 10 anos livre de cancro e não se cansa de agradecer ao seu médico. A jovem acredita que se não tivesse sido transferida para uma unidade pediátrica provavelmente já não estaria viva.
De acordo com um estudo publicado na revista Blood Advances, que incluiu 1 473 pacientes com leucemia linfoblástica aguda, com idades entre os 15 e os 39 anos, adolescentes, ou jovens adultos, com leucemia têm uma probabilidade duas vezes maior de sobreviver se forem tratados sob os protocolos pediátricos.
“Os primeiros relatos sobre este tipo de mudança de paradigma nos tratamentos surgiram no início dos anos 2000”, diz Lori Muffly, professora na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e a principal autora do estudo.
Logo após o seu diagnóstico, Melissa foi sujeita a um tratamento chamado Hyper-CVAD. Tal como outros tratamentos feitos em adultos, este protocolo é relativamente simples, tendo como aliadas as antraciclinas, fármacos que causam danos a células que se dividem rapidamente, sejam elas boas ou más.
Embora os regimes de adultos possam, por vezes, ser usados para uma variedade de cancros, a verdade é que os tratamentos pediátricos são mais específicos e complexos, e dependem mais de altas doses de esteroides e de uma enzima chamada asparaginase.
O estudo realizado por Lory Muffly também sugere que o cenário pediátrico também é importante para o paciente, algo que a investigadora acredita estar relacionado com a complexidade dos protocolos.
O estudo recomenda que pacientes com até 25 anos de idade sejam tratados em ambiente pediátrico, e que pacientes com até 39 anos sejam tratados segundo o protocolo pediátrico; segundo Lory Muffly, alguns centros de tratamento oncológico já utilizaram esta estratégia em pacientes com 55 anos de idade.
Mas alocar um jovem adulto numa unidade pediátrica também tem as suas desvantagens; que o diga Paige McCoy, uma mulher de 28 anos, casada, que também foi diagnosticada com leucemia linfoblástica aguda.
Apesar de lhe terem dado a hipótese de ser tratada num centro infantil, Paige optou por fazer o tratamento numa unidade de adultos; segundo a jovem, seria muito complicado para ela, a nível emocional, estar perto de crianças, por não poder falar sobre “coisas de adultos”.
Já Melissa diz-se “feliz por ter sido tratada como se fosse uma criança”.
“Ouvir os médicos dizer que o que estava a fazer era o mais acertado, deu-me a a esperança que eu precisava”, recorda a sobrevivente.
Fonte: Ozy