Um grupo de moléculas, em que cada uma visa simultaneamente duas das falhas genéticas mais comuns por trás do neuroblastoma, uma forma agressiva de cancro infantil, pode levar à criação de um novo fármaco para combater a doença, sugere um novo estudo.
Uma colaboração liderada por cientistas do Institute of Cancer Research, em Londres, descobriu uma série de moléculas que bloqueiam a atividade de duas proteínas que estimulam o crescimento de células no neuroblastoma.
O neuroblastoma é um tipo raro de cancro que afeta principalmente crianças.
Formas agressivas da doença podem ser particularmente difíceis de tratar e, por isso, este continua a ser um dos cancros infantis que mais crianças mata.
Crianças com neuroblastoma agressivo podem ter uma alteração em dois genes nas suas células cancerígenas que são conhecidos por impulsionar a progressão da doença, o ALK e o MYCN.
Descobrir e desenvolver fármacos que tratem o cancro infantil é difícil porque os tratamentos devem ser rigorosamente testados em ensaios clínicos. Um teste de uma combinação de fármacos pode ser ainda mais desafiante, de modo que o desenvolvimento de moléculas que ofereçam atividade “dois por um” pode simplificar o processo.
Visar múltiplas vias que apoiam o crescimento e a sobrevivência do cancro também é crucial para tratar cancros agressivos, como o neuroblastoma.
Fármacos que bloqueiam, ao mesmo tempo, duas proteínas causadoras de cancro podem impedir que as células do neuroblastoma desenvolvam resistência ao tratamento.
A investigadora principal, Ellen Watts, juntamente com outros cientistas, desenvolveu um inibidor duplo de ALK e BRD4, um regulador da atividade da MYCN, modificando quimicamente uma molécula existente que tem como alvo a BRD4 e outra proteína.
A alteração da estrutura química da molécula mudou a intensidade da inibição de diferentes alvos e identificou compostos promissores que efetivamente bloquearam a atividade de ALK e BRD4 em células de neuroblastoma.
Essas moléculas agora serão testadas em laboratório de forma a que se confirme que o alvo de ALK e BRD4 poderia ser uma abordagem eficaz para o tratamento de neuroblastoma de alto risco.
“Projetar e desenvolver compostos que podem inibir duas proteínas estruturalmente distintas é um desafio, mas esta pesquisa representa um passo significativo na descoberta de fármacos que podem atingir dois dos fatores mais comuns do neuroblastoma”, disse Ellen Watts.
Outro dos investigadores, Swen Hoelder, acredita que “bloquear esses dois alvos poderia, potencialmente, produzir um impacto mais forte do que direcionar qualquer mutação por conta própria. Tratamentos que bloqueiem os dois ao mesmo tempo também podem reduzir o risco de desenvolvimento de resistência, um grande problema nos tratamentos do cancro”.
Publicado no Journal of Medicinal Chemistry, o estudo foi financiado pela Fundação Sir John Fisher, pela Cancer Research UK e pelo Structural Genomics Consortium.
Fonte: The Institute of Cancer Research