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Nova ferramenta ajuda a reduzir efeitos dos tratamentos no meduloblastoma pediátrico

Investigadores do St. Jude Children’s Research Hospital (EUA) desenvolveram uma nova forma de classificar o risco de crianças com meduloblastoma, um tipo de tumor cerebral pediátrico. Através da análise de dados genómicos e clínicos de cerca de 900 crianças incluídas em três ensaios clínicos, foi possível propor ajustes na intensidade dos tratamentos, com o objetivo de reduzir os efeitos secundários sem comprometer a eficácia.

O meduloblastoma é habitualmente tratado com radioterapia e quimioterapia. No entanto, estas terapias podem ter efeitos a longo prazo no desenvolvimento das crianças. Com base nos dados agora estudados, os cientistas concluíram que cerca de 40% das crianças podem receber doses mais baixas de radioterapia, e que quase todas poderão beneficiar de menos quimioterapia, mantendo a mesma taxa de sobrevivência.

A chave para esta nova abordagem está na forma como os investigadores agruparam os pacientes: combinaram informações genéticas dos tumores — como perfis de metilação e alterações cromossómicas — com os resultados clínicos, criando quatro grupos de risco diferentes. Esta classificação permite ajustar o plano terapêutico de forma mais personalizada, reservando os tratamentos mais intensos apenas para os casos mais agressivos.

Portal interativo para médicos e investigadores

Para facilitar o acesso a esta informação, foi criada uma plataforma digital chamada MB-meta Portal, que permite simular resultados clínicos com base nas características do tumor de cada criança. Médicos e investigadores podem selecionar variáveis clínicas, demográficas e moleculares e visualizar curvas de sobrevivência estimadas.

A plataforma também revelou novas pistas sobre a biologia do meduloblastoma. Por exemplo, foram identificados dois novos subgrupos de mutações no gene KBTBD4, o que pode abrir portas a tratamentos ainda mais específicos no futuro.

Estes avanços mostram como a utilização de dados genéticos e clínicos pode melhorar a tomada de decisões nos cuidados prestados a crianças com cancro. Ao ajustar a intensidade dos tratamentos, espera-se não só preservar a eficácia, mas também melhorar significativamente a qualidade de vida dos sobreviventes.

Fonte: Medical Xpress

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