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Investigadores desenvolvem app que ajuda pais a lidarem com dor oncológica dos filhos em casa

Um estudo recente liderado pela investigadora Lindsay Jibb, da Universidade de Toronto, no Canadá, mostrou que pais de crianças pequenas com cancro, juntamente com médicos pediátricos oncológicos, são a favor de uma solução baseada numa aplicação (app) para dispositivos móveis que Jibb e a sua equipa estão a criar para ajudar os pais a lidarem com a dor oncológica dos seus filhos em casa.

O estudo, publicado na revista PLOS Digital Health, revelou que pais e médicos não apenas consideraram a app de controlo da dor útil e segura, mas também lhes proporcionou uma sensação de poder.

“O fardo de cuidar e controlar a dor dessas crianças recai sobre os pais quando estão em casa, e as crianças podem sentir dores associadas à doença oncológica frequentes e às vezes graves”, diz Jibb. “O objetivo da nossa app é aliviar esse fardo e ajudar pais e filhos a terem um controlo da dor de melhor qualidade”, acrescenta.

Como parte do estudo qualitativo, os participantes também foram convidados a fornecer recomendações para a app digital. Muitas destas recomendações centraram-se na acessibilidade e facilidade de utilização, mas também na necessidade de a aplicação estar disponível em vários idiomas e com uma componente de gamificação para envolver as crianças, quando apropriado, nos seus próprios cuidados.

Atualmente em fase piloto, a app inclui uma biblioteca de conselhos farmacológicos, bem como conselhos para sintomas psicológicos e físicos que as crianças possam estar a registar. As instruções baseadas em algoritmos dizem aos pais como ajudar o seu filho a responder a certos tipos de dor, que podem incluir ações como respiração abdominal, alongamento ou sessões de atenção plena. O aconselhamento é direcionado aos pais com base na idade e no estágio de desenvolvimento do filho.

Além disso, um recurso de chat será incorporado à app para atender ainda mais à necessidade de suporte em tempo real para os pais, algo que grupos como o Grupo Consultivo de Pais de Ontário para Crianças com Cancro (OPACC) indicaram ser de considerável importância. A opção de chat conectará os pais a uma enfermeira no hospital, permitindo-lhes fazer perguntas e procurar suporte clínico para a dor dos seus filhos, liderado por uma enfermeira, quando necessário.

“As aplicações digitais e móveis são utilizadas por diversas razões e é surpreendente que não sejam utilizadas de forma mais rotineira nos cuidados de saúde. À medida que a tecnologia continua a avançar, especialmente com a inteligência artificial, espera-se que a capacidade de conectar pessoas que estão fora do hospital com cuidados e apoio em tempo real continue a expandir-se”, frisou Lindsay Jibb.

Os participantes apontaram alguns desafios que a aplicação digital pode representar, tais como a capacidade de medir os limiares de dor e saber quando um médico ou clínico deve intervir.

“A dor é muito subjetiva, e talvez ainda mais para uma criança. Como resultado, parte do feedback que recebemos como parte deste estudo visa garantir que as avaliações multidimensionais da dor, o suporte multimodal para gerir a dor e o rastreamento da dor sejam realizados ao longo do tempo”, diz Jibb.

Isto, segundo a investigadora, implica a necessidade de uma abordagem biopsicossocial para o tratamento da dor oncológica e garantirá que o limiar de cada paciente seja individualizado para os doentes e as suas famílias.

Fonte: News Medical

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