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Poluição e fatores ambientais podem afetar a saúde de crianças que tiveram cancro

A exposição à poluição atmosférica, ao fumo do tabaco e a determinados produtos químicos pode ter consequências na saúde das crianças que tiveram cancro. Uma revisão da investigação científica alerta para a importância de considerar estes fatores ambientais durante o tratamento e no acompanhamento a longo prazo dos sobreviventes de cancro pediátrico.

O trabalho, conduzido por Omar Shakeel, investigador do ⁠Baylor College of Medicine (EUA) e responsável pela consulta de acompanhamento de sobreviventes do ⁠Texas Children’s Cancer and Hematology Center (EUA), reuniu evidências sobre a relação entre a exposição ambiental e a saúde destas crianças.

Poluição atmosférica associada a piores resultados de saúde

A revisão identificou estudos que associam a exposição prolongada a partículas finas presentes na poluição atmosférica, conhecidas como PM2,5, a uma menor sobrevivência entre crianças com cancro.

Uma investigação realizada no estado norte-americano do Utah encontrou também uma associação entre níveis mais elevados destas partículas e um maior risco de hospitalização por problemas respiratórios em sobreviventes de cancro pediátrico.

Outro estudo identificou uma relação entre a exposição acumulada à poluição atmosférica e um maior risco de mortalidade, cinco e 10 anos após o diagnóstico, entre sobreviventes de leucemia linfoide, linfoma e tumores cerebrais.

Os investigadores destacam ainda os possíveis efeitos do fumo do tabaco, dos pesticidas e de fenómenos meteorológicos extremos. No caso dos pesticidas, existem estudos que sugerem uma associação entre a exposição residencial e uma menor sobrevivência em crianças com leucemia.

Estas conclusões apontam para possíveis fatores de risco, mas não demonstram que a exposição ambiental seja responsável, por si só, pelos resultados observados.

Sobreviventes podem apresentar maior vulnerabilidade

Os tratamentos oncológicos, particularmente a quimioterapia e a radioterapia, podem provocar alterações celulares e efeitos duradouros no coração, pulmões, sistema imunitário e metabolismo.

Estas consequências ajudam a explicar por que razão alguns sobreviventes de cancro pediátrico apresentam problemas de saúde crónicos mais cedo do que seria esperado.

Segundo os investigadores, determinadas exposições ambientais poderão agravar estas vulnerabilidades, contribuindo para processos de inflamação, envelhecimento celular e alterações no ADN.

Famílias procuram mais informação sobre os riscos ambientais

A equipa realizou também um inquérito junto de 154 profissionais de oncologia pediátrica do Texas Children’s Cancer and Hematology Center (EUA).

Os resultados revelaram que 80% dos profissionais já tinham recebido perguntas das famílias sobre a influência do ambiente no cancro dos seus filhos, mas 75% afirmaram não se sentir preparados para abordar o tema.

Por outro lado, 96% consideraram útil a criação de um serviço especializado de aconselhamento em saúde ambiental.

Num grupo de discussão com 19 familiares de crianças em tratamento ou que já tinham terminado a terapêutica, os participantes manifestaram igualmente interesse neste apoio, considerando que poderia ajudar a esclarecer dúvidas e reduzir a ansiedade.

Integrar a saúde ambiental nos cuidados oncológicos

Para responder a esta necessidade, os investigadores estão a desenvolver recursos educativos e orientações para profissionais de saúde e famílias, no âmbito do programa ⁠Childhood Cancer & the Environment, nos EUA.

O objetivo é disponibilizar informação científica acessível e estratégias práticas para reduzir, sempre que possível, a exposição a fatores ambientais potencialmente prejudiciais.

Os especialistas sublinham que não é possível identificar uma causa específica para a maioria dos casos de cancro pediátrico e que muitas famílias não conseguem controlar as condições ambientais em que vivem.

A integração da saúde ambiental nos cuidados de oncologia pediátrica pretende, por isso, oferecer informação e apoio, sem responsabilizar as famílias pela doença, contribuindo para proteger a saúde e a qualidade de vida das crianças durante e após o tratamento.

Fonte: The ASCO Post

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