A diminuição do número de plaquetas é uma possível complicação da quimioterapia e pode aumentar o risco de hemorragia, levar à necessidade de transfusões e provocar atrasos no tratamento. Um ensaio clínico realizado na Índia avaliou se o romiplostim, um medicamento que estimula a produção de plaquetas, poderia ajudar a prevenir estes problemas em crianças com cancro.
O estudo incluiu 93 crianças entre um e 14 anos, com leucemia mieloide aguda, linfoma não Hodgkin ou tumores sólidos, que estavam a receber quimioterapia com efeito supressor sobre a medula óssea.
As crianças foram distribuídas aleatoriamente por dois grupos: 47 receberam romiplostim preventivamente e 46 receberam os cuidados habituais.
Recuperação das plaquetas foi semelhante
O principal objetivo era perceber se o romiplostim permitia recuperar mais rapidamente os níveis de plaquetas. Ao fim de três semanas, 91,3% das crianças que receberam o medicamento tinham recuperado as plaquetas, comparativamente com 88,1% no grupo de controlo.
A diferença não foi estatisticamente significativa, o que significa que o estudo não demonstrou que o romiplostim acelere a recuperação das plaquetas nestas crianças.
No entanto, foram observadas diferenças noutros resultados. Não ocorreram hemorragias clinicamente significativas entre as 46 crianças avaliadas no grupo do romiplostim, enquanto estas foram registadas em seis das 43 crianças avaliadas no grupo de controlo.
As crianças que receberam romiplostim também necessitaram, em média, de um menor volume de transfusões de plaquetas, embora esta diferença não tenha atingido significância estatística.
Sinais de maior produção de plaquetas
Os investigadores avaliaram ainda a percentagem de plaquetas imaturas no sangue, um indicador da produção recente destas células. Ao 16.º dia, este valor tinha aumentado significativamente mais no grupo tratado com romiplostim, um resultado compatível com o efeito do medicamento na estimulação das células responsáveis pela produção de plaquetas.
Não foram registados eventos trombóticos durante o estudo.
Os resultados indicam, assim, que o romiplostim não acelerou a recuperação das plaquetas, mas esteve associado a menos episódios de hemorragia e a uma menor necessidade de transfusões. Os autores salientam que os dados disponíveis sobre a utilização deste medicamento na população pediátrica continuam a ser escassos, pelo que o seu papel no tratamento da trombocitopenia associada à quimioterapia necessita de continuar a ser estudado.
Fonre: Nature