Investigadores do Prinses Máxima Centrum (Países Baixos) e da Linköping University (Suécia) descobriram como uma mesma alteração genética pode dar origem a diferentes tipos de células dentro de um tumor do fígado em crianças. A descoberta poderá contribuir para uma classificação mais precisa destes tumores e, no futuro, para tratamentos mais personalizados.
Os resultados foram publicados na revista PNAS.
O hepatoblastoma é a forma mais frequente de cancro pediátrico do fígado. Nos Países Baixos, são diagnosticadas cerca de 10 a 15 crianças por ano com esta doença. Quase todos estes tumores apresentam alterações no gene CTNNB1, responsável pela ativação da via de sinalização Wnt, que regula o crescimento e o desenvolvimento das células.
O mesmo tumor pode ter diferentes tipos de células
Apesar de partilharem a mesma alteração genética, muitos hepatoblastomas são constituídos por dois tipos principais de células: umas mais diferenciadas, semelhantes às células do fígado fetal, e outras menos diferenciadas, de tipo embrionário.
Os investigadores acreditam que a proporção destes dois tipos de células pode influenciar a resposta à quimioterapia. Por isso, conhecer melhor a composição do tumor poderá ajudar a adaptar o tratamento às características de cada criança.
Mini-tumores ajudam a explicar a doença
Para compreender este processo, a equipa utilizou organoides, pequenos modelos de tumores desenvolvidos em laboratório a partir de células de doentes, juntamente com tecnologias avançadas de análise genética.
O estudo mostrou que a mesma alteração no ADN pode originar diferentes tipos de células, dependendo das moléculas com que a proteína β-catenina interage dentro da via Wnt. Estas diferentes interações ativam programas biológicos distintos, levando ao desenvolvimento de células tumorais com características diferentes.
Conhecimento que pode ir além do hepatoblastoma
Segundo os investigadores, este mecanismo poderá ser relevante para outros tipos de cancro, uma vez que a via Wnt desempenha um papel importante em várias doenças oncológicas, tanto em crianças como em adultos.
Compreender como uma mesma alteração genética pode originar diferentes comportamentos das células poderá ajudar a explicar a diversidade existente dentro dos tumores e apoiar o desenvolvimento de terapias cada vez mais direcionadas às características de cada doente.
Fonte: Princess Máxima Center